PJ e Guardia Civil desmantelam rede familiar de tráfico humano para exploração laboral

Lisboa, 29 jun 2026 (Lusa) — Uma operação conjunta da Polícia Judiciária (PJ) e da Guardia Civil espanhola desmantelou uma rede de tráfico humano para exploração laboral, tendo detido cinco pessoas em Portugal e Espanha e resgatado dois homens explorados durante décadas.

Segundo comunicado hoje divulgado pela PJ, os dois homens resgatados foram libertados da situação de exploração laboral em que se encontravam numa primeira fase da Operação ‘Mãos Livres’, em março de 2025, altura em que as vítimas se encontravam “sob domínio dos suspeitos há 30 e 15 anos”, sendo que a vítima mais velha foi “inclusivamente transacionada entre elementos do grupo, como se de uma mercadoria se tratasse”.

As cinco detenções, três em Espanha, ao abrigo de mandados de detenção europeus emitidos em articulação com o EUROJUST, e duas em Portugal, aconteceram a 23 de junho e hoje.

Os três detidos em Espanha, com idades entre os 32 e os 35 anos, foram presentes a tribunal, na Audiência Nacional, em Madrid, para extradição para Portugal, e os dois detidos em Portugal, com 54 e 56 anos, “um dos quais com antecedentes criminais pela prática de crimes da mesma natureza”, vão ainda ser presentes a tribunal para aplicação de medidas de coação.

“A operação “Mãos Livres”, realizada em duas fases na zona de Burgos, em Espanha, visou um grupo de cariz familiar que, de forma concertada, desde há vários anos, recrutava em Portugal pessoas fragilizadas, com carências económicas e em processos de exclusão social”, explicou a PJ em comunicado.

De acordo com a PJ, o modo de atuação da rede familiar de tráfico humano agora desmantelada passava por intermediar o fornecimento de mão-de-obra a empregadores em Espanha para trabalho agrícola pouco qualificado.

Os suspeitos mantinham “as vítimas controladas, a viver em deploráveis condições de habitabilidade e alimentação, sob constante coação, ficando na posse da quase totalidade dos proventos auferidos, através da apropriação do dinheiro que os empresários lhes entregavam para pagamento dos salários”.

“Sem controlo sobre as suas vidas, as vítimas eram inscritas nos Serviços da Segurança Social espanhola, com a finalidade dos exploradores elaborarem contratos de trabalho, obtendo, por esta via e para além dos salários, benefícios resultantes de prestações sociais; abriam contas bancárias e registavam viaturas em seu nome, estratégia que dificultava a atuação das autoridades”, explicou ainda a PJ.

A polícia portuguesa adiantou também que as diligências em Espanha no âmbito do inquérito tutelado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Coimbra, foram recolhidas provas adicionais e apreendidos saldos bancários saldos bancários e dois imóveis.

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