PJ da Guiné-Bissau desmantela rede de tráfico humano e liberta 70 pessoas

Bissau, 22 out 2026 (Lusa) – Cerca de 70 pessoas de várias nacionalidades foram hoje resgatadas pelas autoridades da Guiné-Bissau, no âmbito de uma operação de desmantelamento de uma rede criminosa que levou à detenção de quatro suspeitos.

De acordo com a Polícia Judiciária (PJ) da Guiné-Bissau, citada pela agência de notícias France Presse (AFP), a rede atraía as suas vítimas prometendo-lhes organizar a sua emigração e a obtenção de um emprego no estrangeiro, nomeadamente no Canadá, na Europa e nos Estados Unidos.

Denominada ‘ASTRA’, a operação foi conduzida pela PJ da Guiné-Bissau, após várias semanas de investigação, que culminaram em operações de rusga em duas casas situadas no norte da capital e permitiram deter quatro suspeitos e libertar 71 pessoas.

As vítimas identificadas neste tráfico são originárias do Mali, da Guiné, do Burquina Faso, do Togo, do Senegal e da Serra Leoa, de acordo com informações divulgadas pela polícia.

As vítimas eram levadas para Bissau e, em seguida, retidas contra a sua vontade; depois, sob pressão física e psicológica, nomeadamente ameaças e abusos, terão sido forçadas a participar em esquemas de pirâmide, recrutando novas pessoas através de plataformas nas redes sociais, indicou o agente da PJ António Gomes à AFP.

Para dar uma aparência de legitimidade às suas atividades, os organizadores terão fornecido dados falsos de escritórios localizados no Canadá, nos Estados Unidos e em Portugal, segundo a mesma fonte.

As informações transmitidas pela Interpol contribuíram para o desmantelamento desta rede, apresentada pelos investigadores como estando implantada em vários países desta sub-região africana.

“As vítimas serão entregues às respetivas embaixadas, no caso dos países que dispõem de uma missão diplomática na Guiné-Bissau. As restantes terão de encontrar outra solução, contactando os seus familiares para regressarem a casa”, acrescentou ainda o porta-voz da PJ, Braima Cissé.

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