
Setúbal, 03 ago 2022 (Lusa) — Pedro Pablo Pichardo, que conquistou a 24 de julho em Eugene, nos Estados Unidos da América, o tÃtulo mundial do triplo salto, confessou hoje que o reconhecimento que sente hoje dos portugueses é diferente do que existia no passado.
“Há dois ou três anos as coisas mudaram muito. Não podemos esquecer e negar as situações que aconteceram quando cheguei ao paÃs. Antes era mais difÃcil quando andava na rua, havia muitas polémicas”, lembrou o atleta nascido em Cuba e naturalizado português em 2017, que foi ontem homenageado pela Câmara Municipal de Setúbal, no Complexo Desportivo onde treina.
Pedro Pablo Pichardo, que juntou o ouro do Mundial, graças a um salto de 17,95 metros, ao olÃmpico conquistado há um ano nos Jogos Tóquio2020, garante que a realidade é hoje outra.
“Depois tudo mudou e as pessoas já falam melhor comigo. Já consigo falar português e percebo melhor também. Tudo tem mudado, agora, mesmo quando vou ao ‘shopping’ ou supermercado com a minha famÃlia, ou ando pela rua, tem sido muito bom”, refere.
Menos de um ano depois de ter descerrado uma placa alusiva ao tÃtulo de campeão olÃmpico conquistado no Japão, Pedro Pablo Pichardo não escondeu a sua satisfação por ter hoje voltado a ser alvo de homenagem idêntica pelo municÃpio setubalense.
“É uma sensação muito boa. A única maneira que tenho de agradecer é continuar a ter bons resultados. Desde que cheguei a Setúbal sempre fui bem acolhido. Estou muito grato e feliz pela placa. Foi uma homenagem muito bonita e que me deixa muito feliz”, disse.
Sobre a possibilidade de juntar novas homenagens às existentes no local onde treina, o atleta, de 29 anos de idade, garante que não vê esse aspeto como uma pressão extra, pelo contrário.
“Pessoalmente, motiva-me. Encaro esse desafio como mais um rival ou competição que tenho de encarar da melhor maneira para continuar a conquistar tÃtulos e depois esperar as placas”, afirmou.
Já a pensar no Campeonato da Europa de Atletismo, que decorre em Munique (Alemanha), de 15 a 21 de agosto, e na Liga Diamante, o saltador não hesita em apontar ao lugar mais alto do pódio.
“É como sempre digo: gosto de competir e ganhar. Na minha cabeça está sempre a vitória. Tenho tido muitas competições e a viagem da América deixou-me fatigado, mas já estamos a trabalhar e espero que a partir de sábado comecem a sair bons resultados”, disse.
A ambição de Pedro Pablo Pichardo leva-o a afirmar que bater o recorde do mundo, cujo recordista mundial é o britânico Jonathan Edwards, com 18,29 metros, não é um sonho, mas um objetivo.
“Sonho é quando uma coisa está muito distante ou é até impossÃvel de conquistar. No meu caso, tenho trabalhado e sinto-me muito bem fÃsica e psicologicamente também. Durante a competição estou com muita adrenalina e aà perco muitos centÃmetros. Já estamos a trabalhar a pensar nessa fase e agora resta esperar para ver o que acontece”, vincou.
Questionado sobre as razões que o levaram a não comparecer na zona de chegadas do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, com a restante comitiva que representou Portugal na competição que se realizou em Eugene, nos EUA, o português justificou-se dizendo que “estava morto” e pediu para não o levarem a mal.
“Ainda estou cansado. Estava rebentado, cansado. A viagem não foi boa, houve atrasos no embarque… estava mesmo morto. Pedi à Federação se podia agendar a imprensa para outro dia, mas não foi possÃvel. Espero que as pessoas entendam e não levem a mal. Estou sempre disponÃvel e espero que entendam”, disse.
Na homenagem a Pedro Pablo Pichardo, que descerrou a placa alusiva ao tÃtulo mundial juntamente com o vereador do Desporto de Câmara de Setúbal, Pedro Pina, estiveram, entre outros, José Manuel Constantino, presidente do Comité OlÃmpico de Portugal, Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, e Paulo Frischknecht, presidente da Fundação do Desporto.
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