
Maputo, 21 mai 2020 (Lusa) – A procuradora-geral da República de Moçambique, Beatriz Buchili, defende “uma intervenção enérgica” contra os raptos no paÃs, referindo que este crime tem impacto negativo na segurança das pessoas e no desenvolvimento.
“O impacto deste tipo de criminalidade na segurança das pessoas e no desenvolvimento económico exige uma intervenção enérgica”, disse Beatriz Buchili, no relatório anual de atividades do setor de justiça, cujo debate termina hoje na Assembleia da República (AR).
O sucesso do combate e prevenção dos raptos depende do esforço das instituições judiciárias, mas também da colaboração dos familiares das vÃtimas, estruturas administrativas de base, agentes económicos e da sociedade, em geral, acrescentou Buchili.
“Os locais que, normalmente, são usados como cativeiro, situam-se nos nossos bairros e a angariação dos valores para pagamento do resgate conta, algumas vezes, com o apoio de familiares, amigos ou agentes económicos mais próximos”, referiu a procuradora-geral da República.
As autoridades judiciais, prosseguiu, vão continuar a apostar na investigação para a identificação, localização e responsabilização dos autores de raptos.
A promoção da integridade no comportamento dos agentes do Estado que trabalham nos serviços vocacionados ao combate à criminalidade estará também no centro das atenções, assinalou Beatriz Buchili.
A procuradora-geral da República avançou que 15 processos-crime por rapto foram abertos em 2019, mais um que no ano anterior.
Dos processos instaurados no último ano, foi deduzida acusação em seis e 10 encontram-se em instrução preparatória, incluindo um que transitou de 2018 para 2019.
Beatriz Buchili assinalou que as redes criminosas que protagonizam raptos tendem a alargar a sua ação para outras provÃncias moçambicanas, após um perÃodo inicial em que concentravam a atividade nas cidades de Maputo, Matola e Beira.
Na quarta-feira, a polÃcia moçambicana resgatou dois empresários, Rizwan Adatia e Manish Cantilal, duas das sete vÃtimas de sequestros registados no paÃs desde o inÃcio do ano.
A situação fez com que a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) lançasse um apelo há duas semanas, solicitando “a quem de direito, ações enérgicas para estancar este mal que afugenta qualquer empreendedor ou investidor”.
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