
Rio de Janeiro, 25 de nov 2023 (Lusa)- A petrolÃfera brasileira Petrobras, que descobriu uma enorme reserva de gás natural nas águas profundas do mar do Caribe, pretende criar parcerias com outras empresas para transformar a Colômbia num paÃs exportador de gás.
A Petrobras está já a negociar um acordo com a gigante saudita Aramco, que tem os direitos de uso da marca da gasolina brasileira no Chile, para desenvolverem negócios na América Latina, afirmou à EFE o presidente da empresa brasileira, Jean Paul Prates.
“Aproveitando que estamos juntos no Chile, iniciámos conversações para criar uma estratégia para entrar no mercado de produtos em toda a América Latina”, afirmou Prates, numa entrevista.
Além das conversas com a Aramco, o responsável demonstrou o interesse da Petrobras em “revitalizar” as suas operações na BolÃvia, em desenvolver uma gigantesca reserva de gás natural no Caribe colombiano, em ampliar seus negócios de gás natural na Argentina e em disputar concessões para explorar áreas marinhas no Suriname.
Segundo Prates, depois do regresso do progressista Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência do Brasil, a Petrobras, uma empresa com ações de bolsa mas controlada pelo Estado, quer voltar a dar prioridade à América Latina, uma região que tinha sido abandonada.
Jean Paul Prates afirmou que a Petrobras descobriu na zona, que explora em concessão com a colombiana Ecopetrol no Caribe, um campo onde são estimadas reservas de quatro tetrafts cúbicos (TPC) de gás natural, volume superior à s atuais reservas provadas do paÃs.
Segundo acrescentou, outras empresas como a própria Ecopetrol e as multinacionais Shell e Occidental Petroleum, descobriram importantes reservas de gás em zonas próximas e estariam interessadas em criar um ‘hub’ para exportá-las conjuntamente.
Os recursos para desenvolver estas reservas na Colômbia foram incluÃdos no Plano Estratégico para 2024-2028 anunciado na quinta-feira pela empresa brasileira e que prevê investimentos de 102 mil milhões de dólares, refere Jean Paul Prates.
Desse total, 73 mil milhões de dólares são destinados a projetos de exploração e produção de petróleo e gás, mas apenas 1.300 milhões de dólares para operações noutros paÃses, incluindo Colômbia.
Na sua opinião, a solução passa pelas empresas com reservas vizinhas unirem esforços para formar um consórcio para fornecer gás natural e gás natural liquefeito.
Aquele responsável referiu que a Petrobras mantém os seus importantes campos de gás na BolÃvia, que alimentam um gasoduto com capacidade para transportar 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia no Brasil, e que agora está interessado em novos negócios no paÃs vizinho.
O plano da Petrobras para desenvolver as reservas do chamado bloco Tayrona foi anunciado três anos depois de a empresa incluir a sua participação nesse ativo (44%) no plano de desinvestimentos durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Com o regresso de Lula da Silva ao poder, em janeiro passado, as vendas de ativos foram revistas e a Petrobras optou por retomar o papel de operadora do bloco localizado a 32 quilómetros do litoral norte da Colômbia e já tem planos de iniciar a produção em 2026.
A Petrobras também quer aproveitar a decisão das autoridades colombianas de desenvolver reservas de gás em águas ‘offshore’ para reduzir as suas importações de combustÃveis e impulsionar as indústrias energética e petroquÃmica.
Prates descartou que os planos da Petrobras na Colômbia possam ser afetados pela polÃtica do presidente colombiano, Gustavo Petro, de acelerar o processo de transição energética.
O Governo colombiano já suspendeu a atribuição de novas licenças para explorar petróleo e gás natural no paÃs, pelo que as empresas petrolÃferas que operam na Colômbia têm de se limitar a desenvolver as concessões já atribuÃdas.
EYC // APN
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