
Díli, 27 out 2026 (Lusa) — A petrolífera australiana Woodside anunciou hoje a celebração de um acordo com a Timor GAP, empresa pública timorense, para vender a sua participação no consórcio para explorar o campo de gás Greater Sunrise, por 200 milhões de dólares.
“A conclusão da transação está sujeita ao cumprimento de determinadas condições precedentes, incluindo as aprovações governamentais, regulatórias e da ‘joint venture’ necessárias, estando prevista para o primeiro semestre de 2027”, pode ler-se numa informação divulgada à imprensa.
Segundo o comunicado, a Woodside vai vender a sua participação na ‘joint venture’, incluindo os títulos que abrangem os campos do Greater Sunrise.
A Woodside explica no comunicado que a Timor GAP vai pagar 13,71 milhões de dólares (12,27 milhões de euros), após a conclusão da transação.
Outros 11,29 milhões de dólares (10,11 milhões de euros) serão pagos, após uma decisão final de investimento relativa ao desenvolvimento dos recursos na Área do Regime Especial do Greater Sunrise.
Os restantes 175 milhões de dólares (156,67 milhões de euros) vão ser pagos num prazo de 365 dias após o início da primeira carga de gás natural liquefeito (GNL), proveniente daquele campo de gás e destinada à venda.
“O Greater Sunrise tem sido uma parte importante do portefólio da Woodside durante muitos anos e reconhecemos que o projeto tem potencial para proporcionar benefícios económicos e de segurança energética a longo prazo para Timor-Leste e para a região”, afirmou a diretora-executiva da petrolífera australina, Liz Westcott.
Após a conclusão da transação, a Woodside deixará de deter qualquer participação na ‘joint venture’.
Atualmente, a Timor GAP detém uma participação de 66,56%, depois de ter anunciado em setembro a aquisição dos 10% da Osaka Gas, e a Woodside Energy tem 33,44%.
Localizado no Mar de Timor, a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o Greater Sunrise, composto pelos campos Sunrise e Troubadour, é uma das maiores reservas de recursos naturais ainda por explorar na região e representa para os timorenses um grande potencial económico.
A exploração esteve durante anos envolta num impasse, com Díli a defender a construção de um gasoduto para o sul do país e a Woodside, segunda maior parceira do consórcio, a inclinar-se para uma ligação à unidade já existente em Darwin.
Os campos Greater Sunrise possuem recursos contingentes estimados em 5,13 biliões de pés cúbicos de gás e 225,9 milhões de barris de condensado.
O acordo de fronteira marítima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, terá de ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o país, ou 80% se o processamento for em Darwin.
Timor-Leste, a Austrália e o consórcio que vai explorar o Greater Sunrise concluíram em setembro as negociações técnicas dos três principais documentos (Código Mineiro do Petróleo, Contrato de Partilha de Produção e Regime Fiscal) para o desenvolvimento daquele campo de gás no Mar de Timor.
O Código Mineiro do Petróleo vai estabelecer o enquadramento jurídico e regulatório para as atividades de exploração e desenvolvimento, o Contrato de Partilha de Produção vai regular as relações contratuais e o Regime Fiscal irá definir o sistema de tributação e obrigações fiscais.
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