
São Paulo, Brasil, 01 jun (Lusa) — As ações do grupo petrolÃfero estatal brasileiro Petrobras caÃram hoje 16% na bolsa de São Paulo, em reação ao anúncio da demissão do seu diretor-executivo, Pedro Parente.
Parente, de 65 anos, abandonou o cargo depois de a gigante da economia brasileira ter estado no centro de uma greve de grandes dimensões das transportadoras rodoviárias, que reclamavam uma descida dos preços do combustÃvel e paralisaram o Brasil durante nove dias.
“Pedro Parente pediu para deixar as suas funções de presidente da empresa esta manhã”, anunciou o grupo com sede no Rio de Janeiro, precisando que o conselho de administração vai nomear um diretor interino.
O conflito nacional das transportadoras rodoviárias que paralisou o paÃs, com barricadas nas estradas de todos os Estados, fez com que o grupo Petrobras perdesse, nas últimas duas semanas, cerca de 40% da sua capitalização bolsista.
Falta de gasolina, prateleiras de produtos frescos vazias e aeroportos incapazes de abastecer de combustÃvel os aviões foram algumas das consequências desta greve dos camionistas para a maior economia da América Latina.
O Governo do Presidente Michel Temer acabou por ceder à s reivindicações dos grevistas, garantindo-lhes preços mais baixos por um perÃodo de 60 dias, o que infligiu um duro golpe à autonomia concedida no final de 2016 à Petrobras, em matéria de polÃtica tarifária.
Esta autonomia do grupo, que se alinhou com os preços do mercado internacional, tinha sido exigida pelos mercados, mas traduziu-se automaticamente numa subida do preço dos combustÃveis que gerou descontentamento no paÃs e se tornou alvo de preocupação à medida que se aproximam as eleições presidenciais de outubro, as de desfecho mais incerto da história recente do Brasil.
Após a greve de nove dias dos camionistas, um Michel Temer fragilizado deu a entender que poderia retirar à Petrobras a autonomia em matéria de fixação de preços, mas acabou por recuar nessa questão.
Em seguida, foram os trabalhadores do setor petrolÃfero que entraram em greve, no inÃcio da semana, reivindicando uma redução dos preços dos combustÃveis e do gás de cidade, o fim da polÃtica de venda de ativos da Petrobras e a demissão de Pedro Parente.
Acabaram por desistir da paralisação depois de a Justiça a ter declarado ilegal, mas ameaçaram apelar para interrupções laborais de duração indeterminada para alcançarem os seus objetivos.
Pedro Parente foi nomeado por Temer em maio de 2016 para orientar a empresa para o mercado e afastá-la dos interesses polÃticos, permitindo ao grupo distanciar-se do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, centrado numa grande rede de tráfico de influências, envolvendo subornos em troca da atribuição de contratos públicos.
A saÃda de Parente é o último passo num percurso em que lhe foi reconhecido mérito na gestão da maior empresa pública brasileira, afetada pela dÃvida, corrupção e má gestão, escreve a agência financeira Bloomberg.
ANC (MBA) // EL
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