
Pequim, 20 jul 2023 (Lusa) — As autoridades chinesas prometeram hoje adotar medidas adicionais de apoio ao setor privado, face ao crescimento económico aquém das expectativas e uma taxa de desemprego jovem em máximos históricos.
Em comunicado, o Conselho de Estado (Executivo) e o Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) comprometeram-se a melhorar o ambiente de negócios, fortalecer mecanismos para garantir a “concorrência leal” e um tratamento não discriminatório, face à s empresas estatais, em resposta à s reclamações frequentemente feitas por grupos estrangeiros.
O plano de Pequim, que está dividido em 31 pontos, promete também melhorar os sistemas de apoio ao financiamento e ao mercado de trabalho, visando promover o “espÃrito empreendedor” no setor privado.
O documento visa também incentivar as empresas a empreender processos de transformação digital e tecnológica.
No entanto, a diretriz apela também à s empresas privadas para que “cumpram com as suas obrigações sociais”, através de donativos para caridade, apoio em situações de emergência ou colaboração na “construção da defesa nacional”.
A mesma diretriz pede o reforço da influência do Partido Comunista no setor privado.
Após a publicação do documento, um porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o órgão máximo de planeamento económico do paÃs, indicou que o setor privado se tornou num “elemento intrÃnseco” do sistema económico chinês, embora reconheça que “algumas empresas enfrentam dificuldades” e que os mecanismos propostos vão ter de ser ajustados para aumentar a “confiança e vitalidade”.
A falta de confiança das empresas privadas é um dos fatores que alguns analistas destacam para explicar a desaceleração da economia chinesa.
“As empresas estão hesitantes em aumentar a produção ou o investimento, face a contratempos económicos. Muitas estão à espera para ver o que vai acontecer, e não tentarão expandir as suas operações até que haja uma recuperação da procura geral”, afirmou, esta semana, num relatório, o economista Harry Murphy Cruise, da Moody’s Analytics.
A taxa oficial de desemprego entre os jovens urbanos da China (entre 16 e 24 anos) atingiu novo recorde histórico em junho, ascendendo a 21,3%, segundo dados oficiais publicados esta semana.
A economia chinesa registou um crescimento homólogo de 6,3%, no segundo trimestre do ano, aquém das expectativas dos analistas, já que o efeito base de comparação, após um ano de bloqueios rigorosos, fazia prever uma taxa superior.
Em relação ao perÃodo entre janeiro e março, a economia cresceu apenas 0,8% no segundo trimestre do ano.
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