
Ancuabe, Moçambique, 31 jul 2025 (Lusa) — Pelo menos seis pessoas foram mortas num ataque de alegados terroristas no distrito de Ancuabe, provÃncia moçambicana de Cabo Delgado, disseram hoje à Lusa fonte locais, confirmando também que três rapazes foram raptados.
De acordo com as fontes, o ataque aconteceu na última semana quando os vÃtimas estavam trabalhavam nos campos agrÃcolas de uma aldeia daquele distrito da provÃncia.
“Foram mortas seis pessoas na aldeia de Natocua, e depois [os atacantes] saÃram”, relataram as fontes.
Além das mortes, os extremistas levaram três rapazes, obrigando-os a mostrar o caminho para Chiúre, distrito vizinho, onde foram atacar o posto administrativo de Chiúre Velho, destruindo um posto policial, decapitando uma homem e levando à fuga de milhares de pessoas nos últimos dias.
“Não mataram [os rapazes], só pegaram para lhes mostrar o caminho de Chiúre e depois dispensaram”, disse a fonte.
A provÃncia de Cabo Delgado, situada no norte do paÃs, rica em gás, enfrenta desde 2017 uma rebelião armada, que provocou milhares de mortos e uma crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas.
O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, reconheceu hoje à Lusa um recrudescimento da atividade destes grupos nos últimos três meses, mais acentuada desde final de junho, nomeadamente no sul da provÃncia, que só nos últimos dias provocaram milhares de deslocados, em fuga para Chiúre e para a vizinha Nampula.
Pelo menos um homem foi decapitado, terça-feira, no posto administrativo de Ocua, levando à fuga da população, disseram hoje à Lusa fontes da comunidade.
“Decapitaram um homem, na zona de produção de Pavala, em Ocua”, disse uma fonte local, a partir da vila sede do distrito de Chiúre, a 30 quilómetros de distância da aldeia atacada, para onde várias famÃlias fugiram a pé nas últimas horas, enquanto outras vão caminhando para sul, em direção à provÃncia vizinha de Nampula, e outras procuram refúgio em missões locais.
Neste caso, a vÃtima foi decapitada em Ocua, posto administrativo que separa as provÃncias de Cabo Delgado e Nampula. Estava a trabalhar na machamba, campo de produção agrÃcola, quando os rebeldes o surpreenderam.
“A população está a abandonar, algumas pessoas fugiram para Chiúre e outras estão a ir para Namapa, em Nampula”, relatou ainda a mesma fonte.
Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram um ataque, na quinta-feira, à aldeia e ao posto policial de Chiúre Velho, igualmente no sul da provÃncia de Cabo Delgado, com armas automáticas, levando material do seu interior.
A reivindicação, feita através dos canais de propaganda, é documentada com um vÃdeo, em que os rebeldes, alegadamente pertencentes ao grupo Ahlu-Sunnah wal Jama`a (ASWJ), surgem a disparar rajadas de tiros de metralhadora e entram naquele posto policial, garantindo ter levado material, após queimarem uma viatura e “libertarem presos muçulmanos”, com registo de pelo menos uma pessoa decapitada no centro da localidade.
Oficialmente, agências no terreno contabilizaram pelo menos 34.000 novos deslocados só entre 20 e 25 de julho, devido a novos ataques insurgentes, nos distritos de Chiúre, Ancuabe e Muidumbe.
Só em Chiúre sede, a onda de deslocados que se avoluma desde quinta-feira, atinge – segundo estimativas avançadas no local à Lusa -, as 3.500 famÃlias, distribuÃdas por casas de familiares, mas sobretudo por dois centros temporários em duas escolas da vila, esta semana sem aulas.
Na Escola dos Coqueiros estão mais de 1.900 famÃlias, que desde terça-feira começaram a receber ajuda humanitária das agências das Nações Unidas, no mesmo recreio em que as mulheres cozinham de forma improvisada e centenas de crianças brincam quase normalmente, numa escola sem aulas.
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