
Inhambane, Moçambique, 14 fev 2026 (Lusa) — Pelo menos quatro mortos, um ferido grave e cerca de 500 pessoas afetadas é o balanço da passagem do ciclone tropical intenso Gezani na província de Inhambane, no sul de Moçambique, anunciou hoje uma fonte oficial.
“Dos quatro óbitos, um deveu-se a descargas atmosféricas e três óbitos ocorreram por uma queda de um coqueiro por cima dessas três pessoas”, disse Luísa Meque, presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em Inhambane, durante a apresentação dos dados preliminares do impacto do ciclone.
Segundo a responsável, pelo menos 1.253 casas foram danificadas, especificando que foram afetadas 67 escolas, 200 salas de aulas, oito unidades de saúde e três postos policiais.
Também 28 postes de energia, seis edifícios públicos e dois sistemas de abastecimento de água sofreram danos.
O ciclone tropical intenso Gazeni atingiu a província de Inhambane na noite de sexta-feira, afetando os distritos de Vilanculos, Massinga, Maxixe, Morrumbene, Inhambane e Jangamo, segundo Luísa Meque.
“Ainda estamos a trabalhar para ter dados definitivos. As equipas ainda continuam no terreno. Temos um grande trabalho também na reposição da corrente elétrica para alguns distritos”, referiu a presidente do INGD.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano anunciou hoje à tarde que o ciclone tropical intenso Gezani já não constitui perigo para o país e as autoridades admitem que os deslocados podem começar a regressar a casa.
“Importa informar que o ciclone tropical passou e, felizmente, passou afastado da costa de Inhambane, não entrou para o continente e isto fez com que os impactos também fossem reduzidos”, disse Adérito Aramuge, diretor-geral do Inam, em declarações aos jornalistas em Inhambane.
Segundo o responsável do Inam, o ciclone passou pela costa e está a deslocar-se de novo em direção ao Oceano Índico, “pelo que estão criadas as condições normais para se fazer a monitorização do estado do tempo”.
Ainda hoje, Luísa Meque anunciou que as populações nos centros de acomodação em Maxixe, uma das áreas afetadas pelo ciclone em Inhambane, podem regressar às respetivas casas.
“Do trabalho feito em Maxixe, visitamos alguns bairros e vimos de facto que as condições são favoráveis para que as famílias existentes neste centro possam regressar. Estamos aqui a transmitir, trazermos o conforto para as famílias, fomos ver que já está, pelo menos há condições para elas, depois do almoço, poderem regressar para as suas residências”, disse Meque.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apelou na sexta-feira às populações para se “retirarem das zonas de risco” do ciclone Gezani, poucas horas antes da intempérie atingir a província de Inhambane com ventos até 250 quilómetros por hora.
“Não temos como travar o ciclone, o que nós temos que fazer é minimizar os danos e depois de passar o ciclone precisamos estar no terreno para podermos avaliar os danos e fazermos um plano de recuperação pós-ciclone e pós-cheias ao nível do nosso país”, afirmou o chefe de Estado.
O Inam alertou que o ciclone Gezani ia atingir Moçambique como ciclone tropical intenso, com rajadas de vento até 250 quilómetros por hora, na província de Inhambane.
Pelo menos 40 pessoas morreram em Madagáscar durante a passagem do Gezani, que atingiu com força na terça-feira à noite a segunda maior cidade do país, Toamasina, segundo o balanço das autoridades locais.
Moçambique ainda recupera das cheias de janeiro, que provocaram pelo menos 27 mortos e afetaram quase 725 mil pessoas.
Desde outubro, início da época chuvosa, Moçambique registou pelo menos 211 mortos, 299 feridos e 853.941 pessoas afetadas, segundo atualização do INGD.
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