
Hong Kong, China, 29 jul 2019 (Lusa) – Pelo menos 49 pessoas foram detidas em Hong Kong, entre domingo à noite e hoje de madrugada, nos confrontos entre polÃcia e manifestantes, em mais um protesto contra o Governo da cidade, noticiou a imprensa local.
Ao princÃpio da noite, a polÃcia voltou a avisar os manifestantes de que ia recorrer à força, antes de começar a disparar granadas de gás lacrimogéneo para dispersar o protesto, indicou o diário South China Morning Post (SCMP).
Os manifestantes mantiveram as suas posições, refugiados atrás de uma barreira de guarda-chuvas, e responderam com o lançamento de vários projéteis, como tijolos, tinta e garrafas, contra os agentes antimotim.
A Autoridade Hospitalar indicou que pelo menos 16 feridos deram entrada num hospital da cidade, pelas 00:30 (19:00 de domingo em Lisboa). Quatro já tiveram alta e os restantes 12 ficaram hospitalizados em estado estável, acrescentou, citada pelo SCMP.
Os confrontos prosseguiram durante horas e em vários pontos de duas das principais artérias da cidade, Connaught Road e Des Voeux Road, ao longo de quase seis quilómetros, nas zonas financeira e comercial da cidade.
Pelas 18:00 (11:00 em Lisboa), as autoridades de Macau anunciaram a suspensão das ligações de ‘ferry’ com Hong Kong, uma vez que o porto se encontra numa das zonas dos confrontos, Sheung Wan, com os manifestantes a tentarem, como há uma semana, protestar junto do Gabinete de Ligação do Governo central na região administrativa especial chinesa.
Entretanto, o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau, do Conselho de Estado chinês, anunciou que vai realizar uma conferência de imprensa, em Pequim, para apresentar “a sua posição sobre a atual situação” na cidade, de acordo com um comunicado do Governo central.
Esta será a primeira vez que aquele Gabinete realiza um encontro com a imprensa sobre a cidade, desde a transferência de soberania do Reino Unido para a China, em 1997.
Os confrontos de domingo ocorreram um dia depois de uma manifestação em Yuen Long, no nordeste do território, que causou pelo menos 23 feridos e levou à detenção de 11 pessoas, segundo os últimos dados oficiais.
De acordo com a estação pública RTHK, 11.000 pessoas concentraram-se no domingo à tarde, no jardim Charter, no centro da cidade, para mais um capÃtulo da contestação na rua, iniciada em junho contra as emendas à lei da extradição, entretanto suspensas.
Os manifestantes exigem uma resposta do Governo de Carrie Lam a cinco reivindicações: retirada definitiva da lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que os protestos de 12 de junho e 01 de julho não sejam identificados como motins, um inquérito independente à violência policial e a demissão da chefe do Executivo.
A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princÃpio “um paÃs, dois sistemas”, precisamente o que os opositores à s alterações da lei garantem estar agora em causa.
Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um perÃodo de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nÃvel executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.
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