
Belgrado, 25 dez 2023 (Lusa) – A polÃcia sérvia disse hoje que deteve pelo menos 38 pessoas que participaram num protesto contra as alegadas irregularidades generalizadas durante as recentes eleições, que deram os populistas no poder como vencedores das eleições parlamentares e autárquicas.
O grupo de oposição “Sérvia Contra a Violência” tem vindo a organizar protestos desde as eleições de 17 de dezembro, afirmando que houve fraude eleitoral, especialmente na capital, Belgrado. Alguns polÃticos iniciaram uma greve de fome.
No domingo à noite, os manifestantes tentaram entrar na Câmara Municipal de Belgrado, partindo janelas, antes de a polÃcia de choque os fazer recuar com gás lacrimogéneo, gás pimenta e bastões.
O oficial superior da polÃcia Ivica Ivkovic disse aos jornalistas que os detidos eram acusados de incitar à alteração violenta da ordem constitucional – em referência à tentativa de derrubar o governo – e de comportamento violento. Ivica Ivkovic acrescentou que oito polÃcias ficaram feridos, alguns com gravidade.
A oposição afirmou que a polÃcia usou força excessiva e agrediu alguns dos seus apoiantes.
Várias centenas de estudantes universitários e outros cidadãos bloquearam hoje o trânsito numa rua importante de Belgrado, onde se situa a sede do governo, desafiando um aviso da polÃcia contra os bloqueios de estradas e pontes na capital. Não se registaram incidentes.
A polÃcia “está pronta e é capaz de combater quaisquer atos de violência com determinação”, disse Ivica Ivkovic.
O Partido Progressista Sérvio, no poder, negou ter manipulado a votação e descreveu as eleições como justas, apesar das crÃticas dos observadores internacionais e dos observadores eleitorais locais.
O Presidente, Aleksandar Vucic, descreveu os protestos de domingo como uma tentativa de derrubar o governo com ajuda do exterior, sem especificar. A primeira-ministra da Sérvia, Ana Brnabic, agradeceu à Rússia no final do domingo por ter avisado a Sérvia antes dos violentos protestos contra os resultados das eleições.
Aleksandar Vucic tem “provas irrefutáveis” de que o Ocidente está a encorajar os protestos da oposição, disse o embaixador russo Aleksandr Botsan-Kharchenko aos meios de comunicação russos depois de se reunir com o Presidente.
Numa mensagem na rede social Instagram Aleksandar Vucic também se referiu a “mentores do exterior” dos seus oponentes polÃticos, mas sem dar outros detalhes. Os agentes da polÃcia e a propriedade do Estado foram “brutalmente” atacados por aqueles que querem demolir a democracia e a vontade eleitoral dos cidadãos da Sérvia, disse o Presidente.
A Sérvia está formalmente a tentar aderir à União Europeia, mas a nação balcânica tem mantido laços estreitos com Moscovo e recusou-se a aderir às sanções ocidentais impostas à Rússia devido à invasão da Ucrânia.
O partido de Aleksandar Vucic obteve a vitória nas eleições parlamentares e nas eleições municipais de Belgrado. A “Sérvia Contra a Violência”, o principal concorrente do partido do governo, afirmou que lhe foi roubada a vitória, especialmente em Belgrado.
Representantes de várias organizações internacionais de defesa dos direitos humanos que observaram as eleições referiram múltiplas irregularidades durante a votação, incluindo casos de compra de votos e de enchimento de urnas.
Também assinalaram condições injustas para os candidatos da oposição devido à parcialidade dos meios de comunicação social, ao abuso de recursos públicos por parte do partido no poder e ao facto de o Presidente dominar a campanha do partido no poder e o tempo de comunicação social atribuÃdo aos candidatos, apesar de não ter participado nas eleições.
A “Sérvia Contra a Violência” disse na quinta-feira, numa carta enviada à s instituições, funcionários e paÃses membros da UE, que não reconheceria o resultado das eleições. A aliança apelou à UE para que fizesse o mesmo e iniciasse uma investigação sobre os resultados.
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