Pelo menos 20 mortos em ataques russos com mísseis e drones contra o território ucraniano

Kiev, 06 jul 2026 (Lusa) — Pelo menos 20 pessoas morreram nos ataques russos com mísseis e drones contra a Ucrânia na madrugada de hoje, segundo um novo balanço das autoridades ucranianas.

Todos os mísseis balísticos lançados pela Rússia atingiram os seus alvos, sublinhando a necessidade de Kiev de mais mísseis intercetores Patriot de fabrico norte-americano — um ponto que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, irá provavelmente reiterar na cimeira da NATO que começa na terça-feira em Ancara, Turquia.

Catorze pessoas morreram na capital, Kiev, que foi o principal alvo da Rússia, e 56 ficaram feridas, segundo o chefe administrativo Tymur Tkachenko.

Outras seis pessoas morreram na área metropolitana de Kiev e 21 ficaram feridas, segundo Mykola Kalashnyk, chefe da administração regional, e outros responsáveis da área de socorro.

As equipas de socorro estão a procura de sobreviventes nos escombros de edifícios residenciais em dois locais que sofreram impactos diretos.

Moscovo intensificou os ataques contra Kiev em retaliação pelos recentes ataques de longo alcance da Ucrânia, segundo o Ministério da Defesa russo. Estes ataques causaram uma grave escassez de combustível em território russo, situação que está a pressionar o Presidente do país, Vladimir Putin.

Na quinta-feira, um ataque russo matou 31 pessoas em Kiev, sendo o ataque mais mortífero na capital este ano.

Os avanços da Ucrânia na tecnologia de drones deram-lhe uma vantagem nos últimos meses, dizem analistas e responsáveis ocidentais, atingindo as rotas de abastecimento atrás da linha da frente e abrandando o avanço do exército russo.

Entretanto, a Rússia está agora a explorar as vulnerabilidades da defesa aérea da Ucrânia, que continuam fortemente dependentes dos sistemas de mísseis Patriot para intercetar mísseis balísticos que raramente conseguem abater.

A guerra no Médio Oriente sobrecarregou o fornecimento global de sistema de interceção Patriot, já produzidos de forma limitada — uma escassez agora sentida com intensidade na Ucrânia.

A Força Aérea da Ucrânia afirmou que a Rússia disparou 351 drones e 68 mísseis durante a madrugada, visando principalmente Kiev, e que todos os 29 mísseis balísticos atingiram os seus alvos.

“Para intercetar mísseis balísticos, precisamos dos meios de interceção. Os russos estão certamente a aproveitar-se do facto de existir um grave défice de mísseis intercetores atualmente, na Ucrânia e no mundo”, disse o porta-voz da Força Aérea ucraniana, Yuri Ihnat, na televisão nacional.

O ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, afirmou que a Rússia está a intensificar deliberadamente os ataques com mísseis balísticos a uma escala nunca antes vista, explorando a grave escassez do sistema de defesa Patriot.

“Menos destes mísseis estão a ser produzidos mensalmente em todo o mundo do que aqueles disparados contra a Ucrânia no mesmo período”, disse Fedorov.

O Ministério da Defesa russo afirmou que o ataque teve como alvo fábricas de armas em Kiev, incluindo locais que, segundo Fedorov, produzem drones, veículos blindados e mísseis, bem como instalações de reparação de sistemas de defesa aérea e infraestruturas de combustível e energia na capital e região circundante.

Os ataques da Rússia têm atingido repetidamente zonas civis. Mais de 16.000 civis ucranianos foram mortos na guerra, segundo as Nações Unidas.

Já o Ministério da Defesa russo afirmou que as suas defesas aéreas abateram 519 drones ucranianos durante a noite.

As Forças Armadas da Ucrânia disseram que as suas Forças de Operações Especiais atacaram a refinaria de petróleo de Omsk, na Sibéria Ocidental, que descreveram como a maior da Rússia, localizada a quase 2.500 quilómetros da fronteira com a Ucrânia. Isto junta-se a uma longa lista de importantes refinarias russas atingidas nos últimos meses.

CSR // JH

Lusa/Fim