
Maputo, 15 fev 2026 (Lusa) — Pelo menos 17 mil clientes continuam sem eletricidade em Inhambane, de um total de 132 mil afetados, após a passagem do ciclone tropical intenso Gezani naquela província do sul de Moçambique, anunciou hoje a elétrica moçambicana.
“O ciclone Gezani afetou 132.000 clientes. Os trabalhos das equipas técnicas permitiram religar, até ao momento, 115.000. Estão ainda desprovidas de corrente elétrica 17.000 consumidores”, lê-se num comunicado da Eletricidade de Moçambique (EDM), enviado à comunicação social.
O ciclone, que atingiu a província na noite de sexta-feira, derrubou 61 postes de energia, 32 dos quais já foram repostos, faltando ainda 29, indica a EDM, referindo que equipas técnicas estão no terreno para garantir o reestabelecimento da corrente “o mais breve possível”.
A eletricidade foi restabelecida nas cidades de Inhambane e Maxixe e nos distritos de Homoíne, Morrumbene, Massinga e Funhalouro, aponta a empresa no documento.
A EDM refere que foram acionados geradores de emergência para garantir serviços essenciais às áreas afetadas, mobilizadas equipas de reforço, meios e materiais para fazer face aos dados causados, além de ter sido ativado o comité de emergência da empresa para gestão e assistência ao período pós-ciclone.
A estatal moçambicana pede a tomada de medidas de prevenção, alertando que durante o período de corte de energia, todas as instalações devem ser consideradas como estando permanentemente em tensão.
Pelo menos quatro mortos, dois feridos e cerca de 500 pessoas afetadas pela passagem do ciclone tropical intenso Gezani na província de Inhambane, indicam dados preliminares do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
O ciclone destruiu parcial e totalmente um total de 1.262 casas e afetou 738 alunos, 217 salas de aula, 27 professores, 100 escolas e 17 blocos administrativos de educação, além de oito unidades de saúde e dois sistemas de abastecimentos de água.
Todos os 16 centros de acomodação abertos na província já foram encerrados, tendo albergado 809 pessoas.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano anunciou, no sábado, que o ciclone Gezani já não constitui perigo para o país.
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, destacou hoje o “comportamento exemplar” das populações, seguindo as recomendações das autoridades, na gestão do ciclone tropical Gezani, o que permitiu minimizar os danos que o fenómeno causaria.
“A destacar na gestão deste desastre, sobretudo antes da sua ocorrência, o comportamento exemplar das nossas populações. Quero mais uma vez agradecer ao povo moçambicano que se retirou das zonas de risco e também reforçou as suas infraestruturas para não estarem vulneráveis aos ventos fortes deste ciclone”, disse Chapo em declarações à imprensa em Adis Abeba, onde participou na cimeira da União Africana (UA).
Pelo menos 40 pessoas morreram em Madagáscar durante a passagem do Gezani, que atingiu com força na terça-feira à noite a segunda maior cidade do país, Toamasina, segundo o balanço das autoridades locais.
Moçambique ainda recupera das cheias de janeiro, que provocaram pelo menos 27 mortos e afetaram quase 725 mil pessoas.
Desde outubro, início da época chuvosa, Moçambique registou pelo menos 211 mortos, 299 feridos e 853.941 pessoas afetadas, segundo atualização do INGD.
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