
Teerão, 04 jan 2026 (Lusa) – Pelo menos 15 pessoas morreram nos protestos que começaram em várias províncias do Irão há uma semana, contestando a deterioração da situação económica e a crise energética, segundo organizações de direitos humanos.
A associação de defesa dos direitos humanos HRANA informou que nos sete primeiros dias de protesto contabilizou também quase 600 detenções.
“Nos sete últimos dias registaram-se, pelo menos, protestos em 174 lugares de 60 cidades de 25 províncias. Neste período, pelo menos 582 pessoas foram detidas e 15 manifestantes morreram”, precisou a organização.
A HRANA informou que há manifestações nas ruas, greves “limitadas” e protestos estudantis em várias universidades. Em resposta, as forças de segurança “recorreram à violência, utilizaram medidas de controlo de multidões, realizaram detenções e impuseram um ambiente de segurança reforçada em várias cidades”.
A organização curda de direitos humanos Hengaw contabilizou 17 mortes e o grupo Iran Human Rights, com sede na Noruega, confirmou que os protestos prosseguem hoje pelo oitavo dia consecutivo.
A diminuição do poder de compra de milhões de cidadãos iranianos está na base dos protestos, realizados em simultâneo com um aumento das pressões e sanções económicas dos Estados Unidos, que, juntamente com Israel, voltaram a criticar o programa nuclear do Irão, incluindo bombardeamentos como os de junho passado, que mataram cerca de mil pessoas no país da Ásia Central.
Estas manifestações são as maiores desde o movimento de 2022-2023, durante o qual a repressão pelas autoridades resultou em centenas de mortos e milhares de detenções, segundo ativistas.
O Irão atravessa uma crise económica, marcada por uma inflação anual de 42% e com a inflação homóloga em dezembro a superar os 52%.
A moeda local, o rial, tem vindo a desvalorizar-se, pressionado pelas sanções impostas pelos Estados Unidos e pela Organização das Nações Unidas (ONU) devido ao programa nuclear de Teerão.
As manifestações levaram na sexta-feira o Presidente norte-americano, Donald Trump, a avisar Teerão que não ficará passivo a assistir ao que considera ser “um ato de repressão” do regime.
A atitude levou o representante diplomático do Irão junto das Nações Unidas a enviar uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, em protesto contra o que considerou uma ingerência de Trump.
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