Pelo menos 14 mortos e 38 feridos em atentado bombista na Colômbia — novo balanço

Bogotá, 26 abr 2026 (Lusa) – Um atentado bombista matou pelo menos 14 pessoas e feriu 38 no sábado numa estrada no sudoeste da Colômbia, país abalado por uma série de ataques, a pouco mais de um mês das eleições presidenciais.

As autoridades acusaram o principal grupo dissidente da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que não assinou o acordo de paz de 2016.

A explosão ocorreu na autoestrada Pan-americana na região de Cauca, uma tradicional zona de influência de grupos armados, e destruiu mais de uma dezena de veículos.

“Neste momento, há 14 mortos e 38 feridos, incluindo cinco menores”, declarou o governador do departamento de Cauca, Octavio Guzmán, na rede social X.

Uma fonte policial também indicou que as equipas de resgate estão a tentar localizar pessoas dadas como desaparecidas.

Guzmán divulgou um vídeo na rede social X em que se veem vítimas caídas por terra e veículos calcinados, após o ataque.

Outros vídeos que circulam nas redes sociais mostram danos significativos, e testemunhas afirmam que a explosão as projetou a vários metros de distância.

“Aqueles que cometeram este ataque e mataram (…) são terroristas, fascistas e traficantes de droga”, denunciou o Presidente colombiano, Gustavo Petro, na rede social X.

“Quero os melhores soldados para os enfrentar”, acrescentou, acusando da autoria do atentado o líder da principal fação dissidente das FARC, Iván Mordisco, que frequentemente compara ao falecido barão da droga Pablo Escobar.

Após um ano de tentativas de negociação de um acordo de paz com Mordisco, o chefe de Estado optou por uma guerra frontal contra o líder guerrilheiro, que se tornou o homem mais procurado da Colômbia, oferecendo uma recompensa de um milhão de dólares (cerca de 853 mil euros) por informações que levem à sua captura.

Na sexta-feira, um ataque a uma base militar em Cali (sudoeste), a terceira maior cidade do país, fez um morto e assinalou o início de uma série de ataques no Vale do Cauca e na região de Cauca, um bastião dos dissidentes das FARC sob o controlo de Mordisco.

Em 2025, ataques contra forças de segurança na região resultaram em vítimas civis e posicionaram-se como a pior onda de violência que o país assistiu na última década.

O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, garantiu no sábado que a presença militar e policial será reforçada na zona.

Esta última vaga de ataques agrava o clima de tensão na reta final para as eleições presidenciais de 31 de maio, em que a segurança tem sido uma questão central desde o assassínio do candidato de direita Miguel Uribe, abatido a tiro num comício em junho de 2025.

Gustavo Petro, o primeiro Presidente de esquerda da história da Colômbia, eleito em 2022, vai deixar o cargo após a eleição agendada para o final de maio.

O seu delfim, o senador Iván Cepeda, é o favorito nas sondagens, seguido dos candidatos de direita Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia.

Os três relataram ter recebido ameaças de morte e estão a beneficiar de medidas de segurança reforçadas.

Na Colômbia, é comum os grupos armados – que se financiam através de atividades ilegais como o tráfico de droga, a mineração ilegal e a extorsão – tentarem exercer uma pressão violenta sobre as eleições, tanto locais como nacionais.

ANC // JMR

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