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Lisboa, 04 jul 2023 (Lusa) — Pedro Nuno Santos regressa hoje ao parlamento para assumir o lugar de deputado do PS, seis meses depois de se ter demitido do Governo por causa da indemnização paga a Alexandra Reis para abandonar a TAP.
Cabeça de lista socialista pelo cÃrculo de Aveiro nas últimas eleições legislativas, o ex-ministro das Infraestruturas e da Habitação substitui Rosa Venâncio na Assembleia da República, após seis meses em que pediu a suspensão do seu mandato de deputado.
E já fez saber que neste seu regresso não quer interferir nas áreas governativas que estiveram sob a sua direta tutela e que volta ao parlamento sem razões para se queixar de falta de solidariedade por parte do primeiro-ministro, António Costa.
Há cerca de três semanas, na comissão parlamentar de inquérito sobre a TAP, Pedro Nuno Santos declarou: “Tinha e tenho uma boa relação com o primeiro-ministro (…) Nunca senti falta de solidariedade do primeiro-ministro”.
Também o presidente do Grupo Parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, em recente entrevista à TSF, optou por desdramatizar a presença de Pedro Nuno Santos na bancada do PS, contrapondo mesmo que “fica sempre mais forte quando acolhe um quadro do partido qualificado, com experiência governativa”.
Como ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos esteve diretamente envolvido em dois dos casos que mais afetaram a estabilidade interna do executivo de maioria absoluta de António Costa.
O primeiro foi no final de junho do ano passado quando publicou uma portaria sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa sem conhecimento prévio do primeiro-ministro e em contradição direta com a garantia por este deixada de que a escolha por parte do Estado seria feita através de um processo consensualizado com o PSD.
Em 28 de dezembro passado, demitiu-se depois de se saber que o seu secretário de Estado, Hugo Mendes, tinha acompanhado o processo para o pagamento a Alexandra Reis de uma indemnização de meio milhão de euros para sair da administração da TAP.
Semanas depois da sua demissão, supostamente depois de consultar as suas mensagens de WhatsApp, o próprio Pedro Nuno assumiu que também ele, afinal, tinha conhecimento de que essa indemnização tinha sido paga à ex-secretária de Estado do Tesouro.
Secretário-geral da JS sob a liderança de José Sócrates no PS, deputado desde 2005, apoiante e depois opositor do ex-lÃder António José Seguro, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares logo no primeiro executivo da “Geringonça”, Pedro Nuno Santos começou a posicionar-se como potencial candidato à sucessão de António Costa já há cinco anos, no congresso de 2018.
No plano polÃtico, em vários momentos procurou traçar linhas de demarcação ideológicas face à s direções de António Costa, das quais se destacam aqui apenas algumas.
Em plena campanha nas eleições europeias de 2019, criticou os acordos dos socialistas europeus com o Partido Popular Europeu (PPE) e forças liberais; após as legislativas de 2019, lamentou a ausência de um acordo escrito com o Bloco de Esquerda para a formação do segundo Governo minoritário do PS; mesmo após a última crise polÃtica, com o chumbo do Orçamento para 2022, continuou a defender a “Geringonça” como solução governativa.
Nas sessões do PS em que discursa, deixa normalmente um aviso aos militantes mais liberais ou de centro-esquerda: “O PS tem duas letras: P de partido, S de socialista. Não tem mais nenhuma letra”.
No PS são também realçados alguns dos seus discursos de tendência mais neomarxista, como aqueles em que coloca em confronto as operárias gaspeadeiras e os patrões do calçado. Embora, em outras circunstâncias, também elogie o contributo do setor do calçado para as exportações nacionais, e tenha terminado as suas funções de ministro a defender a reprivatização parcial da TAP.
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