
Lisboa, 17 abr 2025 (Lusa) – O lÃder socialista afirmou hoje que as denúncias anónimas contra si feitas ao Ministério Público visavam criar uma falsa equivalência com o primeiro-ministro num debate em que o porta-voz do Livre disse preferir centrar-se nos que não têm casa.
Um dia depois de se tornar pública a abertura de uma averiguação preventiva ao secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, este debateu com o porta-voz do Livre, Rui Tavares, na SIC, no âmbito da campanha para as legislativas. No frente-a-frente, Pedro Nuno prestou esclarecimentos adicionais sobre o caso, mas centrou a sua intervenção num apelo ao voto útil no PS como forma de garantir a governabilidade à esquerda. Rui Tavares fez precisamente o contrário, tentando combater o voto útil à esquerda no PS.
Questionado sobre se insinuou, na conferência de imprensa de quarta-feira, que o Ministério Público estaria a ser instrumentalizado para fins polÃticos, Pedro Nuno Santos esclareceu que se referia apenas à s denúncias anónimas que deram origem à averiguação, considerando que visaram intimidá-lo e “criar uma ideia de equivalência com LuÃs Montenegro”, algo que garantiu não existir.
“Há uma coisa que eu garanto. Eu não estou a receber dinheiro todos os meses de nenhum empresário português..(…) Não existe nenhuma equivalência. E é um péssimo serviço que prestamos à democracia quando tentamos fazer de conta que somos todos iguais. Eu não sou igual a LuÃs Montenegro”, acentuou.
Rui Tavares, inquirido sobre se o Ministério Público deveria atuar com mais prudência perante denúncias anónimas, explicou que não se “mete no trabalho” dos procuradores e disse que preferia falar “de pessoas que não têm nenhuma casa” em vez de “pessoas que têm a sorte de ter duas”.
“Se o Pedro Nuno Santos acha que deu todos os esclarecimentos e entregou todos os documentos porque pode fazê-lo e sente que consegue dar todos esses esclarecimentos, isso certamente será confirmado no futuro muito próximo. E isso será uma boa notÃcia”, acrescentou, para depois criticar LuÃs Montenegro e a forma como prestou esclarecimentos sobre o caso da sua empresa familiar.
Em cima da mesa estiveram também as propostas de ambos os partidos para o combate à corrupção na polÃtica, com Pedro Nuno Santos a insistir na necessidade de regulamentar o ‘lobbying’ e a chamada ‘pegada legislativa’ e Rui Tavares a reiterar que os ministros em Portugal, à semelhança do que acontece em Bruxelas, devem ser ouvidos previamente pelo parlamento.
A dispersão de votos à esquerda marcou também o debate, com Pedro Nuno, como já tem feito em momentos anteriores, a apelar à concentração de votos no PS para derrotar a AD e garantir uma governação influenciada pela esquerda parlamentar, como o Livre.
Pedro Nuno rejeitou estar a fazer “chantagem” e disse estar apenas a apelar aos eleitores que pensam votar no Livre, em cÃrculos onde o partido de Rui Tavares dificilmente elegerá, que considerem votar no PS.
Rui Tavares acusou Pedro Nuno Santos de adotar uma “posição derrotista” face à s possibilidades de governabilidade após as eleições de maio, defendendo que existe margem para o Presidente da República dar posse a um Governo de esquerda mesmo que o PS não vença — cenário em que o lÃder socialista afirmou não acreditar.
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