
Leiria, 28 fev 2024 (Lusa) – O secretário-geral do PS acusou hoje a Aliança Democrática (AD) de querer “voltar ao passado” na criminalização do aborto e no corte das pensões, pedindo que os pensionistas e as mulheres se desloquem à s urnas para defender os seus direitos.
Em declarações aos jornalistas após ter visitado a Startup Leiria, uma incubadora de empresas naquele distrito, Pedro Nuno Santos reagiu às declarações do vice-presidente do CDS, Paulo Núncio, que, num debate organizado pela Rádio Renascença, admitiu um novo referendo ao aborto.
“Devemos ter a capacidade de tomar iniciativas no sentido de limitar o acesso ao aborto e logo que seja possÃvel procurar convocar um novo referendo no sentido de inverter esta lei que é uma lei profundamente inÃqua”, afirmou Paulo Núncio, candidato pelo cÃrculo eleitoral de Lisboa nas listas da AD.
Núncio sustentou ainda que, “depois de a liberalização do aborto ter sido aprovada por referendo – embora não vinculativo, mas com significado polÃtico – é muito difÃcil reverter a lei aprovada no parlamento”.
O lÃder socialista apelou a que não se ignorem estas declarações de Paulo Núncio, salientando que a legalização do aborto “é um assunto resolvido na sociedade portuguesa” desde que foi referendado, em 2007.
“Aquilo que nós vemos é uma AD a querer voltar para trás. Voltar para trás para onde? Ao tempo da prisão, da criminalização e do risco de vida para a mulher? Porque esse tempo nós já o ultrapassámos. Nós queremos apontar para o futuro, não é apontar para o passado”, afirmou.
Também a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, condenou hoje as declarações de Paulo Núncio.
“Mais uma cambalhota: agora AD defende um novo referendo sobre o aborto. Não passarão. Com o PS o direito de escolha das mulheres deste paÃs estará protegido. Queremos um Portugal de futuro e não um regresso ao passado”, escreveu no Facebook Ana Catarina Mendes, cabeça de lista do PS por Setúbal.
Confrontado com o facto de a declaração ter sido feita por Paulo Núncio e não pelo lÃder do PSD, Pedro Nuno Santos contrapôs que se trata de uma coligação e “essa separação não pode estar sempre a ser feita”.
“Quem traz o Pedro Passos Coelho para a campanha não fui eu, foi a AD, quem faz uma coligação com o CDS não fomos nós, foi a AD, foi o lÃder do PSD. Essa separação não pode estar sempre a ser feita: nós somos responsáveis por quem trazemos para a nossa campanha, para o nosso projeto”, defendeu.
O secretário-geral do PS insistiu que a AD apresenta “um projeto de recuo, de regresso ao passado, e tem de ficar claro isso”.
“A cada dia que passada, isso fica mais claro: é nas pensões, é agora nos direitos das mulheres e é por isso que eu apelo mesmo ao voto de todos os pensionistas, de todos os reformados, e apelo à s mulheres para defenderem também os seus direitos, aquilo que conquistámos”, afirmou.
Questionado sobre as declarações de LuÃs Montenegro – que, esta terça-feira, disse que se demitiria se “algum dia tiver de cortar um cêntimo numa reforma -, Pedro Nuno Santos disse ter ficado “mais preocupado”.
“O lÃder do PSD diz ‘se tiver de cortar pensões’, mas se tiver porquê? Aquilo que nós mostrámos ao longo dos anos em que governámos é que não é preciso cortar”, criticou.
Para o lÃder socialista, o que LuÃs Montenegro está a dizer é que, “ao primeiro aperto, são sempre os mesmos a ser apertados”.
“Não aprenderam nada. O lÃder do PSD não resolve nada com esta declaração, antes pelo contrário: ‘se tiver de cortar pensões, eu vou-me embora, venha outro'”, reforçou, voltando a pedir que os pensionistas se desloquem à s urnas e não deem “sequer oportunidade ao PSD e à AD de ganharem”.
“Aquilo que o lÃder do PSD mostra com esta declaração é que não aprendeu nada. Não há necessidade de cortar pensões. Nós provámos que não é preciso cortar pensões e cortar pensões não resolveu nenhum problema. Antes pelo contrário, agravou-o”, disse.
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