
Braga, 16 jul 2023 (Lusa) — O secretário-geral do PCP rejeitou hoje a ideia de que o paÃs seja o “caos” que afirma passar diariamente nas televisões, defendendo que “há gente séria e honesta” empenhada em levar o paÃs para a frente.
“Apesar das notÃcias que vamos ouvindo, apesar dos casos e muitos que conhecemos, apesar disso tudo, o paÃs não é isso. Aqui há gente séria, aqui há gente honesta, aqui há gente capaz de construir o caminho que interessa aos trabalhadores e ao povo”, defendeu Paulo Raimundo, num comÃcio da festa/convÃvio da CDU, que decorreu na Praia Fluvial de Merelim (São Paio), no distrito de Braga.
No discurso, o lÃder dos comunistas referiu-se unicamente ao “escândalo da Altice”, antiga PT, alvo de buscas e de investigação centradas na venda de património, para criticar as privatizações levadas a cabo no paÃs ao longo dos anos, lembrando os CTT, a REN, a EDP e a Galp, “património que o Estado entregou ao setor privado”.
Foi nesse enquadramento que Paulo Raimundo falou sobre a questão da privatização da TAP, considerando a decisão do Governo liderado por António Costa de “crime polÃtico e económico”.
“Que jeito lhes daria se assistÃssemos sentadinhos no sofá à apropriação das riquezas do paÃs e que déssemos por perdida a TAP. A TAP, a maior empresa exportadora nacional, não aceitamos que seja entregue aos interesses do grande capital. Perderiam os trabalhadores, perderia o paÃs”, frisou o secretário-geral do PCP, perante dezenas de apoiantes, que o iam aplaudindo.
Paulo Raimundo abordou também aquilo que chamou de “propaganda da economia”, que “cresce por todos os lados, mas os trabalhadores e as populações não sentem nada”, criticando ainda os “casos e casinhos” que desviam o foco dos problemas dos portugueses.
“A conversa da inflação que baixa, mas os preços não baixam, o custo de vida aumenta na mesma proporção que crescem os lucros. A campanha de propaganda de grande dimensão onde tudo é assunto menos a vida e os problemas concretos, onde tudo é importante menos a realidade da vida, onde os casos e casinhos ganham centralidade e a vida de quem trabalha, as dificuldades de quem trabalhou uma vida inteira, passam ao lado”, lamentou o lÃder do PCP.
Nessa linha, o secretário-geral do PCP considerou “demagógica e perigosa a campanha de ataque aos partidos e à democracia, que procura criar a ideia de caos generalizado”.
“Da nossa parte falamos do que importa, falamos do que é necessário e urgente, falamos das soluções para a vida, falamos de um paÃs de presente e de futuro, e que tem gente capaz de o levar por diante. Enquanto outros querem o acessório, nós queremos soluções para os problemas. Enquanto outros procuram iludir, nós queremos aumento geral dos salários e das pensões”, declarou Paulo Raimundo.
O secretário-geral do PCP abordou igualmente alguns assuntos locais, como a construção do edifÃcio de cirurgia de ambulatório do Hospital de Braga, obra proposta pelos comunistas, mas “chumbada por PS, PSD, IL, Chega”, mas da qual, segundo Paulo Raimundo, nem o partido nem os profissionais e os utentes vão desistir.
Sobre as creches, o lÃder dos comunistas lembrou que o que o paÃs precisa “é de criar mais creches públicas que respondam à s longas listas de espera”, dando como exemplo “os 900 pedidos em lista de espera nas dezenas de instituições em Guimarães”, no distrito de Braga.
Quanto aos transportes, o secretário-geral do PCP reiterou que o partido também não vai abdicar da ligação ferroviária direta entre Braga e Guimarães e da intermodalidade tarifária na região.
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