
Porto, 11 jul 2021 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu hoje, num comÃcio no Porto, ser tempo de valorizar o salário mÃnimo nacional e reforçar direitos laborais, como prevê a Constituição da República Portuguesa.
“Vivemos uma situação difÃcil, mas temos de continuar a acreditar que é possÃvel uma vida melhor para Portugal e para os portugueses. Por isso, consideramos que é tempo de valorizar os salários, designadamente o salário mÃnimo nacional, o reforço dos direitos, o direito de contratação coletiva, o direito a ter um horário justo, digno – o direito a ter direitos como a nossa Constituição da República aponta”, apontou Jerónimo de Sousa.
Numa intervenção num convÃvio de mulheres da CDU, que decorreu no Parque Urbano da Pasteleira, o dirigente comunista reiterou a “necessidade de combater este cancro que são os défices estruturais que existem no paÃs”.
“Desafio a vossa reflexão por 10 segundos: como é que um paÃs pode singrar se, neste caso concreto, tem défices estruturais, défice alimentar, défice tecnológico, défice energético, défice produtivo? Estamos dependentes do estrangeiro, mesmo em zonas crÃticas como é a da alimentação”, assinalou.
Jerónimo de Sousa questionou também, por exemplo, como é que um paÃs com as caracterÃsticas de Portugal pode ter apenas ‘stock’ de trigo para 15 dias.
“Não estou a encurtar as coisas, dá para 15 dias. Porque não temos reservas, porque não produzimos aquilo que nos obrigam a comprar lá fora”, disse.
Neste contexto, reivindicou “medidas de fundo que continuam a não existir porque, de facto, este Governo não é capaz de praticar e desenvolver uma polÃtica alternativa e patriótica de esquerda tão necessária para o paÃs”.
O dirigente colocou a pandemia na sua intervenção para denunciar que “não foram só desgraças e dificuldades, existindo muitos que se aproveitaram e bem da situação, reforçando as suas fortunas”.
Citando dados estatÃsticos, referiu que neste perÃodo passou a haver “19 mil novos milionários em Portugal”, ao mesmo tempo que “aumentaram em 400 mil os pobres no paÃs”.
Perante a necessidade de soluções para resolver os problemas do paÃs, o comunista evocou as eleições autárquicas agendadas para 26 de setembro e sublinhou que “as outras forças polÃticas, nalguns casos, até têm bons candidatos, mas há uma coisa que não têm: o projeto”.
“Vão anunciando esta ou aquela medida avulsa, desgarrada, mas não têm um projeto com que se comprometam para que as populações possam refletir sobre esses programas ou pela sua ausência”, salientou.
A terminar o seu discurso, o secretário-geral comunista enfatizou que a regionalização é outra luta que os candidatos da CDU (coligação PCP-PEV) têm de “travar na campanha eleitoral”, assumindo tratar-se de “uma batalha muito difÃcil e muito exigente, tendo em conta a realidade”.
JFO // ROC
Lusa/fim



