
Lisboa, 04 jan 2022 (Lusa) – O secretário-geral comunista classificou hoje a moção de censura ao Governo da IL como “uma manobra” e disse que não será pelo seu partido que a comissão de inquérito sobre a TAP proposta pelo BE “não irá para a frente”.
Em declarações aos jornalistas no Palácio de Belém, depois de ter sido recebido pelo Presidente da República, Paulo Raimundo reiterou que a moção de censura da Iniciativa Liberal “é um bocadinho para entreter e está um bocadinho despropositada, porque uma moção de censura tem como objetivo censurar a polÃtica deste Governo”.
“O que a IL faz é censurar tudo menos a polÃtica, porque um partido que está de acordo com o PS no rumo de privatização da TAP, um partido que assobiou para o ar quando o Governo há poucos dias entregou 140 milhões de euros de mão beijada à s concessionárias, à s autoestradas, (…) um partido que não disse nada aquando da transferência de três milhões de euros para as empresas da energia por via do Orçamento e por fora do Orçamento… Quer dizer, o que é que sobra para censurar”, inquiriu.
O lÃder do PCP reforçou que a moção de censura da IL não tem como objetivo, nem como “questão de fundo”, a censura da polÃtica do Governo.
“É mais para calendário, que respeitamos. (…) São manobras, compreendemos, mas não acompanhamos, o que não significa – até por tudo aquilo que nós dissemos e dizermos – que acompanhemos qualquer opção polÃtica do PS neste momento”, sublinhou.
Relativamente à comissão de inquérito sobre a TAP que o Bloco de Esquerda anunciou que vai propor, o secretário-geral do PCP reiterou que não conhece “os termos da iniciativa”.
“De qualquer das maneiras, não será por nós que essa iniciativa não irá para a frente, isso é uma questão normal”, referiu.
Paulo Raimundo defendeu que, no que se refere “à s questões da TAP, e à questão em concreto que está em cima da mesa”, o PCP considera que “ela não pode ser afunilada no problema da TAP”.
“Há um problema de gestão de empresas, quer privadas, quer públicas, e um problema de critérios complementares à gestão dessas empresas. Devem ser reconsiderados de forma mais ampla, e não apenas afunilar na TAP, com a agravante de que tudo o que seja em torno da TAP neste momento é para acelerar o seu caminho de privatização, coisa com a qual nós estamos profundamente em desacordo”, frisou.
A conferência de lÃderes agendou para quinta-feira o debate e votação da moção de censura ao Governo apresentada pela Iniciativa Liberal.
Esta iniciativa foi anunciada na quinta-feira passada, horas depois de ter sido conhecida a demissão do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, a terceira ocorrida no Governo na última semana de dezembro e a décima saÃda de um membro do executivo socialista de maioria absoluta.
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