
Sintra, Lisboa, 18 jul 2022 (Lusa) — O secretário-geral do PCP acusou hoje o Governo de permitir deliberadamente a degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), sabendo que “o resultado da sua inércia seria desastroso”, de forma a favorecer os grupos privados do setor.
“O Governo assistiu a tudo [no SNS] e não tomou as medidas necessárias para começar a inverter esta grave situação e a conclusão a tirar só pode ser uma: o Governo sabia que o resultado da sua inércia seria desastroso e quis que assim fosse”, acusou o lÃder comunista.
Jerónimo de Sousa falava numa tribuna pública intitulada “Reforçar o SNS, garantir saúde para todos”, realizada junto ao centro de saúde do Olival, na freguesia de Agualva-Cacém, concelho de Sintra, com o antigo presidente da Câmara Municipal de Loures Bernardino Soares, a assistir na plateia.
O lÃder comunista defendeu que “os anúncios de medidas feitos pelo Governo na área da saúde, em grande parte de concretização ainda bastante indefinida, mostram que continua a atirar ao lado no que diz respeito a medidas que se exigem e se impõem”.
“Mais ainda, o que já se conhece do Estatuto do SNS, aprovado pelo Governo, constitui um evidente recuo em relação à nova Lei de Bases da Saúde aprovada em 2019, incluindo opções legislativas que estão longe de ser a solução para os problemas da saúde”, considerou.
Na opinião de Jerónimo de Sousa, “ao não tomar medidas eficazes, o Governo está deliberadamente a permitir a degradação do SNS”, favorecendo os grupos privados do setor.
“É que estes grupos não só garantem boa parte do seu financiamento com transferências do SNS, cerca de 40% da despesa corrente, como prosperam tanto mais quanto maiores forem as dificuldades do SNS. E o que o Governo se prepara para fazer é entregar mais uma fatia do SNS ao privado, apresentando essa opção como uma falsa inevitabilidade”, frisou.
Mas para o secretário-geral do PCP, “não há nenhuma inevitabilidade neste caminho”, defendendo a adoção de medidas como o “fim do subfinanciamento” do SNS, a melhoria das remunerações dos seus profissionais, a garantia de uma efetiva progressão na carreira ou a aplicação de “medidas urgentes” como a proposta dos comunistas para a dedicação exclusiva, com um aumento de 50% da remuneração base.
O PCP acusou também o executivo liderado por António Costa de assistir “passivamente ao aumento do número de utentes sem médico de famÃlia – de 700 mil para cerca de um milhão e 300 mil em menos de três anos – sem que se tivesse tomado qualquer medida para travar a situação”.
Só no concelho de Sintra — o segundo concelho mais populoso do paÃs – “haverá 120 mil pessoas sem médico de famÃlia”, salientou.
Depois de ter ouvido dois residentes sintrenses que subiram à tribuna minutos antes para evidenciar algumas dificuldades no acesso a cuidados de saúde no concelho, nomeadamente a falta de um hospital e a consequente sobrecarga dos serviços no hospital Amadora-Sintra, Jerónimo referiu a necessidade de investimento nas infraestruturas de saúde.
“O caso deste concelho de Sintra é, aliás, uma situação singular: aqui está em construção uma nova unidade hospitalar que, além de no fundamental não ser financiada pelo Ministério da Saúde, mas que já se sabe que não irá dar resposta à s principais necessidades”, vincou.
O lÃder comunista salientou que esta unidade terá “valências insuficientes e apenas 60 camas de internamento” o que “é totalmente desajustado para a população do segundo concelho mais populoso do paÃs”.
ARYL // ACL
Lusa/Fim



