PC Chinês pune 680 mil pessoas em nove meses enquanto debate disciplina interna

Pequim, 27 out 2026 (Lusa) — Os organismos disciplinares chineses sancionaram 680 mil pessoas entre janeiro e setembro, incluindo 105 altos funcionários, segundo dados divulgados hoje, quando a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC) realiza um plenário dedicado ao reforço da disciplina interna.

A Comissão Central de Inspeção e Disciplina do PCC e a Comissão Nacional de Supervisão, os principais organismos de combate à corrupção do partido no poder e do Estado, divulgaram os dados no segundo dia da quinta sessão plenária do XX Comité Central, iniciada na segunda-feira, em Pequim, e que termina na quinta-feira.

O balanço aponta para a abertura de 800 mil processos, incluindo 73 relativos a altos dirigentes de nível provincial ou ministerial, ou superior, e indica que 505 mil militantes receberam sanções partidárias.

Os processos disciplinares não correspondem necessariamente a condenações judiciais.

Em 2025, os tribunais chineses analisaram 36 mil processos de corrupção, suborno e outros crimes relacionados com o exercício de funções públicas, que envolveram 40 mil pessoas, incluindo 57 altos funcionários, segundo o relatório anual do Supremo Tribunal Popular, apresentado em março.

A divulgação dos dados coincide com a análise de um projeto de resolução sobre disciplina interna apresentado na segunda-feira pelo Presidente chinês e secretário-geral do PCC, Xi Jinping, durante o plenário, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

Xi apresentou o projeto e um relatório de trabalho em nome do Politburo durante a abertura da reunião, que decorre à porta fechada.

O conteúdo detalhado do documento ainda não foi divulgado.

A Xinhua recordou na segunda-feira que, durante os preparativos para o encontro, o Politburo exigiu “padrões mais elevados” e “medidas mais concretas” para resolver os problemas internos do partido.

O debate ocorre depois de o próprio Xi ter reconhecido dificuldades em garantir o cumprimento das suas ordens numa organização com mais de 100 milhões de militantes.

Num discurso publicado este mês pela Qiushi, revista de teoria política do PCC, o dirigente chinês criticou o facto de algumas orientações “não serem aplicadas ou serem aplicadas incorretamente”.

O plenário realiza-se também numa altura em que as expulsões dos generais Zhang Youxia e Liu Zhenli, anunciadas em setembro por acusações de corrupção e outras infrações, aguardam ratificação pelo Comité Central.

Os afastamentos deixaram a Comissão Militar Central, o principal órgão de comando das Forças Armadas chinesas, com apenas dois membros: Xi Jinping e o general Zhang Shengmin.

Desde 2012, a campanha anticorrupção lançada por Xi tem atingido dirigentes civis e militares.

Embora esta ofensiva, uma das principais iniciativas políticas do Presidente chinês, tenha revelado importantes casos de corrupção, alguns críticos consideram que poderá também estar a ser utilizada para afastar rivais ou opositores políticos.

 

JPI // SB

Lusa/Fim