
Lisboa, 25 set 2025 (Lusa) — O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho apontou hoje “graves problema de gestão” e de descontrolo na despesa com saúde, e avisou que a estabilidade polÃtica não depende apenas do parlamento, mas da “vontade polÃtica” e “força moral” para fazer mudanças.
Na apresentação do livro “Parcerias Público-Sociais: o caso dos Hospitais (des)nacionalizados”, da autoria do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos, Nuno Reis, Passos Coelho realçou que a sua crÃtica sobre o “enorme descontrolo da despesa pública na área na saúde” não tinha como destinatário um responsável polÃtico ou um Governo em concreto, dizendo que se verifica há vários anos.
Mais à frente, quando se referiu também a “um grave problema de gestão na saúde”, deixou um alerta: “Vamos ver quem tem força, autoridade e sabedoria para o resolver”, disse, avisando que os problemas no setor não se resolvem com “revoluções” ou contra os profissionais.
“Isso não pode ser feito senão num horizonte, num contrato social e polÃtico mais alargado, com alguma estabilidade. E essa estabilidade depende da perceção que as pessoas possam ter da relevância dessas polÃticas”, disse.
Para Passos Coelho, essa estabilidade não vem apenas “da força do parlamento”.
“Um governo pode ser minoritário e não lhe faltar força nenhuma na sociedade para fazer uma reforma que as pessoas percebam que é necessária. Claro, se os governos têm medo de tirar isso a limpo, torna-se difÃcil obter o apoio das pessoas”, admitiu.
O antigo primeiro-ministro defendeu que “é preciso mobilizar e convencer as pessoas que essas polÃticas são mesmo importantes”, o que não depende “da força polÃtica momentânea”.
“Depende de uma certa força moral, evidentemente, mas depende, sobretudo, de conseguirmos conquistar as pessoas para as mudanças que queremos fazer. Mas para isso temos de saber bem o que é que queremos e temos de testar”, avisou.
Por outro lado, acrescentou, é preciso também “vontade polÃtica” para concretizar as mudanças, manifestando-se contra uma certa forma de governação, sem concretizar destinatários.
“‘Chuta-se a bola para a frente e depois vamos ver. O que é importante é andar. A gente depois logo vê como é que faz’. É uma maneira de governar. Eu não a recomendaria, pelo menos como sistema. Não quer dizer que à s vezes não seja preciso dar um piparote qualquer, andar para a frente e depois vamos ver. Mas como método, não me parece que seja recomendável”, afirmou.
À saÃda, Passos Coelho não quis fazer declarações à comunicação social, numa sessão que contou com a presença do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
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