
Tóquio, 19 out 2025 (Lusa) – O Partido Liberal Democrático (PLD), no poder no Japão, está perto de formar uma coligação governamental, que deixaria a lÃder Sanae Takaichi a apenas dois deputados de garantir a eleição como primeira-ministra.
Os principais meios de comunicação japoneses avançaram hoje que o acordo com o Partido da Inovação do Japão (Ishin) poderá ser fechado já na segunda-feira, um dia antes do parlamento se reunir para escolher o sucessor de Shigeru Ishiba.
O primeiro-ministro cessante demitiu-se em setembro da liderança do Governo e do PLD, que, em primárias realizadas no inÃcio de outubro, escolheu a conservadora e nacionalista Takaichi como candidata a ser a primeira mulher a liderar o Japão.
De acordo com a agência de notÃcias japonesa Kyodo, o PLD e o Ishin terão concordado em formar uma coligação sem que o partido da oposição garanta lugares no novo Governo.
Em troca, o PLD comprometer-se-ia a cumprir uma série de propostas, incluindo a redução do número de deputados, a eliminação do imposto sobre o consumo alimentar e a eliminação de donativos polÃticos de empresas e organizações.
O jornal japonês Mainichi detalha que os lÃderes do Ishin apresentarão a proposta de acordo ao seu partido hoje, após o que se espera uma reunião final com o PLD para segunda-feira.
O jornal refiriu que o partido da oposição está relutante em ocupar cargos no possÃvel Governo de Takaichi e prefere primeiro garantir que a nova lÃder do PLD cumpre os termos do acordo.
Se for eleita, a conservadora irá liderar um dos governos mais fracos da história polÃtica do Japão, com uma clara minoria em ambas as câmaras do parlamento, o que a obrigaria a cooperar com a oposição para aprovar qualquer lei.
O apoio de Ishin é fundamental para Takaichi, especialmente depois de o partido budista Komeito, ao qual o PLD esteve aliado durante 26 anos, ter abandonado a coligação no poder.
O centrista Komeito retirou-se da aliança devido a notÃcias publicadas sobre alegados fundos secretos do PLD, tendo também criticado Sanae Takaichi devido a supostas mudanças de postura da lÃder face à s visitas a Yasukuni.
Takaichi, conhecida pela postura de linha dura em relação à China, visitou inúmeras vezes no passado, principalmente quando era ministra, o santuário xintoÃsta, considerado um sÃmbolo do passado militarista do paÃs.
Mas, na sexta-feira, no primeiro dia do festival de outono de Yasukuni, 64 anos, esteve ausente e enviou apenas uma oferenda, por, segundo os meios de comunicação japoneses, temer que uma visita pudesse incomodar os paÃses vizinhos.
As visitas anteriores de altos funcionários japoneses ao santuário irritaram Pequim e Seul. A China e a penÃnsula coreana foram palco de atrocidades cometidas pelos militares japoneses na primeira metade do século XX.
Nenhum primeiro-ministro japonês em funções visitou o santuário em Tóquio desde 2013, quando a visita de Shinzo Abe provocou fúria entre os paÃses vizinhos e reprimendas dos Estados Unidos.
O santuário presta homenagem aos cerca de 2,5 milhões de soldados japoneses mortos em combate, mas também a oficiais e polÃticos japoneses condenados por crimes de guerra por um tribunal internacional após a Segunda Guerra Mundial.
O PLD tem governado o Japão quase em permanência desde 1955, apesar das frequentes mudanças de liderança.
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