
Damasco, 09 dez 2024 (Lusa) – O partido sÃrio Baas, do ex-Presidente Bashar al-Assad, declarou hoje apoiar a fase de transição no paÃs, após o derrube do regime por uma coligação rebelde.
“Continuaremos a apoiar uma fase de transição na SÃria visando defender a unidade do paÃs”, declarou o secretário-geral do partido, Ibrahim al-Hadid, em comunicado.
O lÃder dos rebeldes sÃrios, Abu Mohammed al-Jolani, discutiu hoje com o ex-primeiro-ministro Mohammed al-Jalali uma “coordenação da transição de poder”, anunciou o movimento que derrubou o Presidente Bashar al-Assad.
Al-Jolani – que passou a usar o seu verdadeiro nome, Ahmad al-Chareh – conversou com al-Jalali “para coordenar uma transição de poder garantindo a prestação de serviços” à população sÃria, afirmaram os rebeldes, num comunicado acompanhado de um breve vÃdeo da conversa.
Também esteve presente no encontro o primeiro-ministro que lidera o “Governo de Salvação” do bastião dos rebeldes do Organismo de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al Sham ou HTS), no noroeste da SÃria.
Antes, o movimento encarregou Mohamed al-Bashir, o lÃder do “Governo de Salvação” – a administração de fato na provÃncia sÃria do norte de Idlib controlada pelo HTS – de formar um Governo de transição, noticiou a televisão sÃria, dirigida agora pela oposição.
Segundo a televisão sÃria, a reunião entre os lÃderes rebeles e o ex-primeiro-ministro destinou-se a evitar que o paÃs entre num estado de “caos” após a queda do regime.
No vÃdeo da reunião divulgado pelo HTS, o lÃder rebelde al-Jolani assegurou que, apesar de a região de Idlib, onde tinha a sua autoridade de facto, ser pequena e sem recursos, os responsáveis pela sua administração conseguiram acumular experiência e sucessos.
Além disso, precisou que não vai prescindir dos funcionários qualificados do regime deposto.
O HTS, após a tomada de poder na SÃria, lançou vários comunicados nos quais prometeu tolerância em relação aos seguidores de diferentes igrejas e confissões no paÃs, e advertiu os seus membros de que devem evitar maus-tratos ou agressões aos civis.
Segundo a AP, muitos funcionários públicos não retomaram funções, e um responsável das Nações Unidas alertou que o setor público do paÃs está paralisado, causando problemas em aeroportos e fronteiras e desacelerando o fluxo de ajuda humanitária.
O setor público “parou completa e abruptamente”, disse Adam Abdelmoula, coordenador residente humanitário da ONU para a SÃria, observando, que um voo de ajuda carregando abastecimentos médicos urgentemente necessários foi suspenso após os funcionários da aviação abandonarem os postos de trabalho.
“Este é um paÃs que teve um único governo durante 53 anos e, de repente, todos aqueles que foram demonizados pela comunicação social pública agora estão no comando na capital do paÃs,” disse Abdelmoula à AP.
Os rebeldes declararam no domingo Damasco ‘livre’ do Presidente Bashar al-Assad, após 12 dias de ofensiva de uma coligação liderada pelo grupo islâmico Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al Sham ou HTS, em árabe), juntamente com outras fações apoiadas pela Turquia,  derrubar o governo sÃrio.
O Presidente sÃrio, que esteve no poder 24 anos, deixou o paÃs perante a ofensiva rebelde e asilou-se na Rússia, segundo as agências de notÃcias russas TASS e Ria Novost.
Rússia, China e Irão manifestaram preocupação pelo fim do regime, enquanto a maioria dos paÃses ocidentais e árabes se mostrou satisfeita por Damasco deixar de estar nas mãos do clã Assad.
No poder há mais de meio século na SÃria, o partido Baath foi, para muitos sÃrios, um sÃmbolo de repressão, iniciada em 1970 com a chegada ao poder, através de um golpe de Estado, de Hafez al-Assad, pai de Bashar, que liderou o paÃs até morrer, em 2000.
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