
Moscovo, 17 dez 2024 (Lusa) — A Duma, câmara baixa do parlamento russo, confirmou hoje a aprovação de um projeto de lei que visa retirar os talibãs afegãos da lista de organizações proibidas na Rússia.
A medida é tida como parte de uma aproximação para normalizar as relações após os fundamentalistas terem tomado o poder no Afeganistão em agosto de 2021, após a fuga do então presidente Ashraf Ghani.
A Duma aprovou a proposta em segunda e terceira leituras, sublinhando-se no texto que se cria um mecanismo para levantar a proibição de grupos na lista de terrorismo, que dependerá de uma decisão judicial na sequência de uma recomendação do Gabinete do Procurador-Geral.
Para tal, é necessário que o grupo “tenha deixado de realizar atividades destinadas a promover, justificar e apoiar o terrorismo”, o que abriria a porta à retirada da lista de organizações declaradas por Moscovo como organizações terroristas, segundo a agência noticiosa russa Interfax.
A câmara baixa do parlamento russo já tinha aprovado a lei numa primeira leitura no passado dia 10 de dezembro.
Nos últimos anos, o Presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu em várias ocasiões que os talibãs poderiam ser retirados da lista de organizações terroristas, tendo mesmo descrito os fundamentalistas como “aliados” na luta contra o terrorismo, mas no passado chegou a condicionar essa retirada à aprovação da ONU.
Em maio, o enviado da Rússia para o Afeganistão, Zamir Kabulov, confirmou que vários ministérios tinham recomendado ao Kremlin (presidência russa) que o grupo fosse retirado da lista de organizações terroristas.
As autoridades instaladas pelos talibãs após o regresso ao poder não conseguiram obter o reconhecimento de nenhum paÃs da comunidade internacional, em grande parte devido à s crescentes restrições aos direitos fundamentais da população, especialmente das mulheres, embora vários Estados tenham reforçado os seus laços económicos com Cabul.
Em outubro passado, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, também se reuniu com o chefe da diplomacia do governo provisório dos talibãs, Amir Khan Muttaqi.
Lavrov e Muttaqi manifestaram então a vontade dos dois paÃses de estabelecer “relações polÃticas de confiança” que conduziriam a uma maior cooperação comercial bilateral.
A Rússia baniu e suspendeu contactos com os talibãs em 2003, embora tenha recebido representantes dos extremistas em várias ocasiões antes de estes terem tomado o poder em Cabul.
Desde então, os talibãs deslocaram-se várias vezes a Moscovo para participar em conferências sobre a resolução do conflito afegão, e o Kremlin convidou-os a participar no Fórum Económico de São Petersburgo e na cimeira do grupo de economias emergentes BRICS deste ano.
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