
Londres, 02 jul 2026 (Lusa) – A vice-presidente do Parlamento Europeu, Sabine Verheyen, defendeu hoje em Londres que os jovens europeus que estudem no Reino Unido devem beneficiar de propinas universitárias mais baixas do que as aplicadas a estudantes internacionais.
Durante uma visita à capital britânica, Verheyen rejeitou a ideia de uma exigência rÃgida de propinas idênticas à s dos estudantes nacionais, mas argumentou que não devem ser equiparadas à s de estudantes internacionais.
“Sei que os estudantes chineses têm de pagar mais nas universidades europeias (…), mas deveria haver uma diferença para os parceiros. E isso é algo que estamos a negociar”, disse a eurodeputada alemã, num encontro com jornalistas.
As propinas para os estudantes internacionais nas universidades britânicas podem atingir 38 mil libras (44 mil euros, ao câmbio atual) por ano, contra cerca de 9.500 libras (cerca de 11 mil euros) anuais para os estudantes britânicos.
A antiga presidente da Comissão da Cultura e da Educação do Parlamento Europeu adiantou estarem a “decorrer discussões sobre a possibilidade de, talvez, se aplicar uma propina reduzida, em vez da propina internacional”.
O jornal britânico The Guardian noticiou, em meados de junho, que a segunda cimeira Reino Unido-União Europeia (UE) foi adiada repetidamente devido às negociações relacionadas com o programa de mobilidade juvenil e o valor das propinas universitárias.
Na terça-feira, o também britânico Daily Telegraph revelou que Bruxelas só aceitou marcar a data de 22 de julho para a reunião de alto nÃvel após o primeiro-ministro, Keir Starmer, concordar em discutir a questão.
A cimeira, que, entretanto, foi adiada devido ao anúncio de demissão de Starmer, também pretende aprovar um acordo sanitário e fitossanitário para facilitar o comércio de produtos alimentares e um acordo sobre o sistema de comércio de emissões de carbono.
O programa de mobilidade juvenil é diferente do programa Erasmus+, o qual o Reino Unido vai voltar a integrar a partir de 2027, e ao abrigo do qual os participantes continuam a pagar propinas à sua instituição de origem e não às universidades de acolhimento.
Sobre o provável futuro primeiro-ministro do Reino Unido, o também trabalhista Andy Burnham, Sabine Verheyen disse que o bloco europeu está “sempre aberto a encontrar formas de uma melhor cooperação”, mas que “isso depende sempre também da vontade dos parceiros de darem um passo em direção à União Europeia”.
Durante esta deslocação a Londres, a vice-presidente do Parlamento Europeu tem encontros agendados com o secretário de Estado para a Europa, Stephen Doughty, e com a presidente da Comissão Parlamentar da Cultura, dos Meios de Comunicação Social e do Desporto da Câmara dos Comuns (câmara baixa do parlamento britânico), Caroline Dinenage.
No final do dia, vai participar num debate com os deputados Liam Byrne e Lisa Smart, intitulado “Parlamentos em Diálogo: Resistência à Interferência PolÃtica, ao Financiamento Estrangeiro e à Resiliência Democrática no Reino Unido e na União Europeia”.
Verheyen defendeu ser importante discutir formas de cooperação a nÃvel europeu nestas áreas e revelou estar interessada na legislação que Londres quer introduzir sobre o financiamento de partidos polÃticos através de criptomoedas, porque “essa parece ser a nova forma de financiar partidos polÃticos a partir do estrangeiro”.
“Pode ser algo que também possamos adotar, já que, neste domÃnio, a União Europeia ainda não fez muito até agora”, salientou.
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