
Genebra, 27 mar 2023 (Lusa) — Os atletas russos que serviram ativamente na guerra na Ucrânia deveriam poder participar na cena internacional desportiva, caso não tenham cometido crimes de guerra, defendeu uma especialista das Nações Unidas (ONU).
Alexandra Xanthaki, especialista da ONU para os direitos culturais e que aconselha o Comité OlÃmpico Internacional (COI), defendeu no domingo que apenas aos militares implicados em “alegações de crimes, genocÃdio, crimes contra a humanidade ou propaganda de guerra” deve ser negado um estatuto neutro.
A posição de Xanthaki deixou desagrados os atletas ucranianos que participavam numa consulta do COI, antes de serem anunciadas na terça-feira as orientações para os organismos desportivos, antes dos Jogos OlÃmpicos em Paris.
A Ucrânia e as autoridades desportivas do paÃs pretendem que o COI proÃba todos os russos de competirem em Paris2024, lembrando que a maioria dos recentes medalhados olÃmpicos russos integram as forças armadas do paÃs.
No domingo, em publicação no Twitter, a advogada grega e professora de Direito, sublinhou que “um atleta que tenha estado na guerra deve ser incluÃdo”, com um estatuto neutro, sem bandeira e hino.
“Não podemos responsabilizar todos os homens que participam em guerras ilegais fomentadas pelos seus paÃses, seguindo ordens. Aqueles que cometem crimes, devemos”, especificou Alexandra Xanthaki.
A comissão executiva do COI vai decidir entre 28 e 30 de março as sanções à Rússia e Bielorrússia, o estatuto dos atletas de ambos os paÃses e as medidas de solidariedade com a Ucrânia.
Os temas, relacionados com a invasão da Rússia à Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, vão ser discutidos em Lausana, SuÃça, e na sequência da auscultação do COI aos seus membros, aos comités olÃmpicos nacionais, federações internacionais e desportistas, tendo como horizonte os Jogos OlÃmpicos de Paris2024.
O COI recomendou, em 25 de janeiro, a readmissão dos desportistas de ambos os paÃses nas competições internacionais, desde que cumpram os princÃpios da carta olÃmpica e as regras antidoping, e “não tenham apoiado a guerra de forma ativa”.
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