
Praia, 19 nov 2025 (Lusa) — A parceria especial entre Cabo Verde e a União Europeia (UE) atingiu hoje a maioridade e, ao cabo de 18 anos, o Governo do arquipélago referiu, num comunicado que assinalou a data, que pretende intensificar as relações.
Na declaração, Cabo Verde assumiu um “compromisso” e “vivo interesse em intensificar as relações com a UE, com os seus estados-membros e com as regiões ultraperiféricas — sobretudo as da Macaronésia [Açores, Madeira e Canárias] — para reforçar esta aliança estratégica através da confiança política, da parceria para o desenvolvimento e das relações económicas”.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Integração Regional (MNECIR), a parceria “tem sido marcada pela partilha de valores sociopolíticos, ganhos consolidados e uma forte convergência política”, com “reforço do diálogo político diplomático e concertação mútua”.
No ano de 2025, em que celebra o 50.º aniversário da independência, Cabo Verde assinala avanços da cooperação ao serviço da redução da pobreza, proteção social, fornecimento de energia, segurança marítima, desenvolvimento da economia azul, integração regional e mobilidade.
“Cabo Verde exorta, igualmente, o papel da sociedade civil e do setor privado, bem como da diáspora, no reforço da parceria especial e na solidificação das relações com a UE”, concluiu.
A 19 de novembro de 2007, os 27 estados-membros da UE, reunidos em Bruxelas, sob presidência portuguesa, chegavam a um acordo de princípio sobre a parceria especial com o arquipélago.
Entre os objetivos estavam o reforço do diálogo político e a convergência económica.
O montante global atual de apoio da UE a Cabo Verde subiu para 398 milhões de euros, após um reforço divulgado em outubro, em Bruxelas.
“Tomando como referência o valor anunciado em setembro de 2024, na cidade da Praia (301 milhões de euros), houve um acréscimo no montante global de investimentos e apoio da UE a Cabo Verde. O montante global atual é de 398 milhões de euros”, correspondentes a 378 milhões da iniciativa Global Gateway e 20 milhões do novo apoio orçamental, referiu fonte da UE à Lusa.
O bloco europeu participa ainda noutros programas e projetos da cooperação em áreas como a segurança (incluindo a vertente marítima), apoio à sociedade civil e programas regionais (PALOP-TL, WASOP e outros) não contabilizados no montante.
Pela sua natureza insular, Cabo Verde é uma economia dependente da importação de bens e serviços, a larga maioria adquirida à Europa — sobretudo Portugal –, cujos países são também o principal mercado de origem dos turistas que funcionam como motor da principal área de atividade económica do arquipélago.
A Europa é também o lar de grande parte da diáspora cabo-verdiana, nomeadamente países como, Portugal, Holanda, França e Luxemburgo, entre outros.
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