
Islamabad, 11 mai 2021 (Lusa) – O Paquistão não permitirá a presença de bases ou tropas norte-americanas em seu território após a retirada dos Estados Unidos do Afeganistão em setembro, vinte anos após os ataques que desencadearam a invasão do território afegão.
“Não temos intenção de permitir a entrada de tropas estrangeiras no território. Nenhuma base estrangeira estará presente no Paquistão”, disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Shah Mahmood Qureshi, numa conferência de imprensa em Islamabad.
Em resposta à possÃvel presença de bases aéreas dos Estados Unidos (EUA) em solo paquistanês, Qureshi foi contundente, embora tenha reiterado o apoio do seu paÃs ao processo de paz afegão.
“Seremos um parceiro em paz e desempenharemos um papel facilitador”, disse Qureshi.
A última fase da retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão começou oficialmente em 01 de maio e será concluÃda em 11 de setembro e, depois disso, os Estados Unidos não terão mais militares naquele paÃs.
Por esse motivo, a possibilidade de o Paquistão aceitar bases norte-americanas em seu território ficou em aberto nos últimos meses.
O Presidente dos EUA, Joe Biden, chegou a pensar nessa opção durante a campanha eleitoral de 2019, quando ainda era candidato.
No entanto, o Paquistão não parece disposto a isso, atitude que se manteve na última década.
A última grande base aérea dos EUA em solo paquistanês, localizada em Shamsi, na provÃncia do Baluchistão, foi desocupada em 2011 após um bombardeamento da NATO que matou 24 soldados paquistaneses. Após esse incidente, Islamabad ordenou o encerramento da base.
As relações entre os dois paÃses não progrediram durante o mandato do ex-Presidente Donald Trump, que em 2018 cortou a ajuda de segurança ao Paquistão porque Islamabad não estaria a agir contra grupos terroristas.
Com a nova Administração norte-americana, as relações são ainda uma incógnita.
Biden não manteve conversas telefónicas com o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, como fez com outros lÃderes, e os contactos entre os dois paÃses têm sido mÃnimos.
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