Paquistão diz à ONU que é o Governo que decide quem fica no país

Islamabade, 05 set 2025 (Lusa) — O Paquistão lembrou hoje a ONU que só o Governo decide quem pode ficar no país, reagindo ao apelo do alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados para que Islamabade suspenda a deportação de afegãos.

“Este é o nosso território e nós decidimos quem permanece no nosso solo”, afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês.

O alto-comissário da ONU para os refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, apelou na quinta-feira ao Paquistão para que “suspenda a implementação do Plano de Repatriamento de Estrangeiros Ilegais”, na sequência do terramoto registado no leste do Afeganistão no domingo à noite e das várias réplicas que se seguiram.

O sismo, de magnitude 6 na escala aberta de Richter, destruiu centenas de aldeias e matou pelo menos 2.200 pessoas, tendo sido seguido de vários outros terramotos.

Segundo Grandi, uma grande parte das vítimas mortais eram afegãos que tinham regressado recentemente do Paquistão.

“O recente terramoto afetou mais de 500.000 pessoas no leste do Afeganistão, a ajuda dos doadores, incluindo o Paquistão, é vital e bem-vinda”, sublinhou o alto-comissário.

“Nenhum país foi tão generoso como o Paquistão. Já lá vão mais de 50 anos. Dizemos que todos aqueles que não têm documentos devem sair (…) é o que qualquer país faria”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Islamabade.

Na segunda-feira, horas depois do terramoto mais mortífero da História do Afeganistão, o Paquistão lançou uma nova fase da campanha de deportação dos afegãos, forçando a saída de milhares de portadores do cartão de refugiado da ONU.

As autoridades paquistanesas começaram a expulsar afegãos no final de 2023 e aceleraram o plano em abril.

“Desde abril, mais de 478.000 afegãos regressaram do Paquistão, incluindo aproximadamente 337.000 que atravessaram a fronteira em Torkham [Afeganistão], perto do epicentro do sismo”, indicou o ACNUR, em comunicado divulgado na terça-feira.

As autoridades paquistanesas anularam os cartões de residência emitidos aos afegãos, destacando que muitos viviam no Paquistão há anos.

Desde do final de 2023, o Paquistão e o Irão obrigaram mais de quatro milhões de afegãos a regressar a casa.

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