
Roma, 06 jan 2023 (Lusa) — O Papa pediu no Ângelus “medidas concretas” para pôr fim à guerra na Ucrânia, após as tropas russas violarem o cessar-fogo decretado pelo Presidente russo, Vladimir Putin, atacando hoje a cidade de Kramatorsk, no leste do paÃs.
A informação sobre o ataque à quela cidade ucraniana foi confirmada pelo lÃder-adjunto da administração presidencial da Ucrânia.
“Que o nascimento do salvador instile consolo, instile esperança; e inspire a medidas concretas que possam de vez conduzir ao fim dos combates e à paz. Rezemos muito pela Ucrânia e pela paz”, pediu o Papa Francisco, no dia em que a Igreja Católica celebra um evento designado como “a Epifania do Senhor”.
A figura máxima da Igreja Católica Romana transmitiu também os seus “melhores desejos à s comunidades das Igrejas orientais”, tanto católicas como ortodoxas, que, por não seguirem o calendário gregoriano, celebrarão o Natal no sábado.
“De forma especial, queria desejar o melhor aos irmãos e irmãs do atormentado povo ucraniano”, concluiu.
O Papa — que na quinta-feira oficiou, na praça de São Pedro, perante uma multidão, as exéquias solenes do papa emérito Bento XVI — lamentou durante a missa de hoje de manhã, que celebrou na basÃlica de São Pedro, que a sociedade atual ofereça “tranquilizantes da alma” que são “substitutos para sedar as nossas inquietações e apagar” as perguntas sobre a felicidade e a vida plena.
Lamentou também que a sociedade de hoje tenha perdido “o sentido da adoração” e instou os crentes a não terem medo das “preocupações” e a potenciarem “a coragem” para assumir os “riscos do caminho” da busca de Deus, como fizeram os Reis Magos.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou até agora a fuga de mais de 14 milhões de pessoas — 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,9 milhões para paÃses europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.
A invasão russa — justificada por Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia — foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções polÃticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o inÃcio da guerra, que hoje entrou no seu 317.º dia, 6.919 civis mortos e 11.075 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
ANC // APN
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