
Cidade do Vaticano, 21 dez 2024 (Lusa) – O Papa Francisco condenou hoje a “crueldade” de um ataque aéreo israelita em Gaza que causou a morte de sete crianças da mesma famÃlia palestiniana, denunciada na sexta-feira pela Defesa Civil da Faixa de Gaza.
“Ontem [sexta-feira], bombardearam crianças. Isto é uma crueldade, não é uma guerra. Quero dizer isto porque me toca o coração”, disse o pontÃfice católico aos membros do Governo da Santa Sé durante a audiência de saudação de Natal à Cúria Romana.
Francisco denunciou ainda que as autoridades israelitas negaram o acesso a Gaza ao Patriarca Latino de Jerusalém, o Cardeal Pierbattista Pizzaballa.
“Ontem [sexta-feira] não deixaram o Patriarca entrar em Gaza, como tinham prometido”, disse o pontÃfice, referindo-se a Pizzaballa, perante os cardeais e outros religiosos presentes na audiência.
O Papa é informado sobre a situação em Gaza através de telefonemas que faz para a paróquia da Sagrada FamÃlia, a única igreja católica na Faixa de Gaza.
Mahmoud Bassal, porta-voz da Defesa Civil da Faixa de Gaza, disse à AFP na sexta-feira que o ataque foi “um massacre da ocupação (israelita)” que “martirizou dez membros da famÃlia Khalla, que foram alvo de um ataque aéreo à sua casa em Jabalia”, perto da cidade de Gaza.
Todos os mortos “pertenciam à mesma famÃlia, incluindo sete crianças, a mais velha com seis anos de idade”, disse, acrescentando que 15 pessoas ficaram feridas.
Contactado pela AFP, o exército israelita declarou que o número de mortos comunicado pela Defesa Civil em Gaza “não corresponde à s informações de que dispõe”.
As forças israelitas “atingiram vários terroristas que operavam numa estrutura militar” do movimento islamita palestiniano Hamas e “representavam uma ameaça”, declarou.
O Papa Francisco, com 88 anos, tem apelado à paz desde o ataque sem precedentes do Hamas a Israel, em 07 de outubro de 2023, e da campanha de retaliação israelita em Gaza. Nas últimas semanas reforçou a sua posição contra a ofensiva israelita.
No final de novembro afirmou que “a arrogância do invasor (…) prevalece sobre o diálogo” na Palestina, uma posição rara que contrasta com a tradição de neutralidade da Santa Sé.
Em extratos de um livro a publicar em breve, divulgados em novembro, Francisco apelou a um estudo “meticuloso” para determinar se a situação em Gaza “corresponde à definição técnica” de genocÃdio, uma acusação firmemente rejeitada por Israel.
A Santa Sé apoia a chamada solução dos dois Estados, israelita e palestiniano, e reconhece desde 2013 o Estado da Palestina, com o qual mantém relações diplomáticas.
A guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas a Israel, em 07 de outubro de 2023, já causou a morte de 1.208 pessoas do lado israelita, a maioria das quais civis, segundo uma contagem da AFP baseada em números oficiais israelitas e incluindo reféns que morreram ou foram mortos em cativeiro na Faixa de Gaza.
Mais de 45.000 palestinianos foram mortos na campanha militar de retaliação de Israel em Gaza, a maioria dos quais civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Governo do Hamas, considerados fiáveis pela ONU.
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