
Praia, 21 set 2022 (Lusa) — O Programa Alimentar Mundial (PAM) apoiou Cabo Verde com 1,5 milhões de dólares para o reforço da alimentação escolar no paÃs, que beneficiou mais de oito mil crianças com uma refeição durante as férias, revelou hoje fonte oficial.
As informações foram avançadas pelo ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, em conferência de imprensa conjunta na cidade da Praia, para fazer o balanço das medidas de mitigação adotadas pelo Governo no setor agroalimentar, revelando que o apoio do PAM foi de 1,5 milhões de dólares (aproximadamente o mesmo valor em euros), para o fornecimento de géneros alimentÃcios.
Segundo a mesma fonte, alguns desses produtos já chegaram ao paÃs e nos próximos dias as duas partes vão assinar um memorando de entendimento para distribuição nas escolas.
O PAM deixou de apoiar as cantinas escolares de Cabo Verde em 2010, depois de mais de 30 anos, mas o programa das Nações Unidas regressa ao paÃs para apoiar com géneros alimentÃcios e ajudar a mobilizar recursos para enfrentar as crises.
Desde março que o paÃs está a fazer face aos efeitos da guerra na Ucrânia e tomou várias medidas de mitigação no setor agroalimentar, entre elas o reforço do programa de alimentação escolar durante as férias.
O programa permitiu o acesso a uma refeição quente diariamente e/ou uma cesta básica para crianças em idade escolar, em vários municÃpios do paÃs, e foram beneficiadas 8.369 crianças, correspondendo a 12% do total dos alunos das escolas do ensino básico (do 1.º ao 8.º ano).
“Com impacto na segurança alimentar e nutricional das nossas crianças”, salientou o ministro, referindo que com o inÃcio das aulas na segunda-feira todos os alunos vão continuar a ter esse apoio.
No setor agroalimentar, o Governo tomou outras medidas, como o aumento do ‘stock’ de cereais a granel – milho — que passou de 14 mil toneladas para 31 mil toneladas, a bonificação em 30% sobre o preço da ração para monogástricos, a abertura de trabalho público, assistência alimentar à s famÃlias e estabilização da atividade pecuária.
O ministro disse que o Governo vai manter as medidas e vai reformular as suas ações tomadas para mitigar os efeitos da guerra na Ucrânia, nomeadamente nas cantinas escolares e depois da avaliação do ano agrÃcola que está com “bom andamento”.
Em 20 de junho, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, declarou a situação de emergência social e económica no paÃs devido aos impactos da guerra na Ucrânia, anunciando mais medidas de mitigação.
Um dos objetivos com a declaração da situação de emergência é mobilizar 8,8 mil milhões de escudos (80 milhões de euros) até ao final deste ano junto de parceiros internacionais para implementar as medidas de mitigação dos efeitos das crises alimentar e energética.
O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças cabo-verdiano, Olavo Correia, revelou também durante a conferência de imprensa que o Governo já mobilizou metade desse valor junto de parceiros internacionais e não descartou a possibilidade de vir a tomar novas medidas e conseguir mais recursos, em função da evolução do quatro nacional e internacional.
O paÃs vive ainda uma profunda crise económica, após uma recessão de quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, face à ausência de turismo provocada pela pandemia de covid-19, setor que garante 25% do PIB e do emprego.
O Governo cabo-verdiano admite que a economia possa ter crescido entre 6,5 e 7,5% em 2021, impulsionada pela retoma da procura turÃstica, e prevê 6% de crescimento em 2022, que foi revisto para 4%, devido à s consequências económicas da guerra na Ucrânia.
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