Palestina insta UE a adotar “medidas concretas” contra violência de colonos israelitas

Jerusalém, 22 mar 2026 (Lusa) — As autoridades palestinianas condenaram hoje os ataques perpetrados por milícias de colonos israelitas na Cisjordânia, neste fim de semana, instando a União Europeia (UE) a adotar “medidas concretas” para pôr fim à escalada de violência.

A condenação dos ataques deve ser acompanhada por “posições práticas e contundentes por parte da comunidade internacional”, nomeadamente exigindo “responsabilidades aos seus autores” e protegendo a população palestiniana “indefesa”, apelou o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmud Abbas, num comunicado difundido pela agência de notícias palestiniana Wafa.

O apelo remete para a declaração conjunta da UE, adotada na cimeira de sexta-feira em Bruxelas e na qual os líderes condenam “fortemente” os crescentes ataques dos colonos israelitas contra “a população civil palestiniana, incluindo a violência contra as comunidades cristãs”.

No texto, a UE apela ao Conselho Europeu para que impulsione “medidas mais restritivas contra os colonos extremistas e as entidades e organizações que os apoiam”.

Após uma noite especialmente violenta, em que 12 palestinianos ficaram feridos e carros foram queimados em ataques perpetrados por colonos na Cisjordânia, as autoridades palestinianas notaram hoje que o assassinato de civis e a queima de propriedades “são ações organizadas e sistemáticas” sob a proteção do exército israelita — que não intervém, detém ou acusa as milícias.

“O objetivo é implementar planos de anexação, expansão racista e deslocamento forçado”, denunciam.

Esta noite, grupos de colonos atacaram aldeias perto de Ramallah, Nablus e Jenim, incitados pela morte de um colono israelita de 18 anos, depois de o seu jipe ter chocado com o carro de um condutor palestiniano.

A polícia está a investigar o incidente, mas fações políticas sionistas já estão a dar como verdadeira a hipótese de atentado.

“Isto não foi um acidente, mas sim um atentado com carro-bomba deliberadamente perpetrado contra judeus”, acusou a vice-presidente do parlamento israelita e ultranacionalista, Limor Sonhrmelh.

Também Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional, presidente do partido Poder Judaico e ele próprio colono, falou em “assassinato” e deixou um aviso: “Vamos continuar a agarrar-nos à terra, construindo e continuando o nosso caminho.”

Bezalel Smotrich, ministro das Finanças israelita e também colono, publicou uma mensagem na rede social X elogiando as “heroicas” comunidades que têm construído colonatos na Cisjordânia, considerados ilegais pelo Direito internacional.

A guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão desviou a atenção internacional da situação na Faixa de Gaza, onde Israel prossegue as incursões militares, e na Cisjordânia, onde os palestinianos enfrentam ataques diários de colonos israelitas.

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