Paixão Martins diz que sondagens são importantes para comunicação mas mal aproveitadas pelos media

Lisboa, 29 out 2025 (Lusa) — O especialista em comunicação Luís Paixão Martins defendeu hoje, em Lisboa, que as sondagens são muito importantes para os profissionais do seu setor, mas são mal aproveitadas pela comunicação social.

“As sondagens são importantes para os profissionais que fazem comunicação e muito mal aproveitadas na comunicação social”, afirmou Luís Paixão Martins, que falava numa formação do Parlamento Europeu para jovens jornalistas, na agência Lusa, em Lisboa.

O especialista deu como exemplo uma sondagem da Intercampus que apontava uma vantagem para João Noronha Lopes nas intenções de voto nas eleições para a presidência do Benfica. Contudo, este candidato ficou atrás de Rui Costa na primeira volta.

Paixão Martins precisou que a sondagem em causa foi realizada no estádio da Luz, em Lisboa, antes de um jogo de futebol, apontando que o resultado da mesma seria diferente antes ou depois da partida.

O antigo consultor ressalvou que a sondagem não estava errada, mas representava apenas uma amostra composta “pela malta que vai à bola e que vota no pavilhão e não na casa do Benfica”.

Assim, avisou que o grande problema das sondagens prende-se com uma “interpretação demasiado simplista” que se faz de algo que é “complexo”.

Na mesma sessão, o diretor-geral da Gfk Metris, António Gomes, defendeu que qualquer sondagem é, por si só, um instrumento de trabalho e explicou que, por lei, estas estão sujeitas a depósito junto do regulador, bem como ao cumprimento de um conjunto de normas.

“Nenhum de vocês pode criar uma empresa de sondagens hoje e começar, no dia seguinte, a publicar estudos políticos […]. Houve uma clara moralização para evitar que as sondagens pudessem ser utilizadas como marketing político”, sublinhou.

Em cima da mesa esteve também o tema das eleições europeias nos 27 Estados membros e, em particular, o que leva ou não os eleitores a participarem neste processo.

Luís Paixão Martins considerou ser difícil encontrar razões ideológicas, de transação ou ressentimento que levem ao voto, apesar de Portugal ser o país com maior percentagem de pessoas que gostam de fazer parte da União Europeia.

Por outro lado, notou que não existe uma “divergência entre os partidos […], uma disputa ou um frente a frente, que mobiliza muitas pessoas”.

Já o diretor-geral da Gfk Metris acredita que “alguma polarização doutrinária e ideológica” podem fazer das próximas europeias eleições “com mais sumo”, dando como exemplo a posição face ao conflito Israel-Palestina.

“Não acho que os portugueses se desinteressem, mas pensam que não é preciso votar [nas europeias], mas agora, do ponto de vista ideológico, algumas diferenças na própria família da Europa podem levar a alguma fricção”, acrescentou António Gomes.

Esta edição do programa de formação do Parlamento Europeu para jovens jornalistas decorreu durante três dias e abordou temas como a União Europeia, eleições, democracia, comunicação e desinformação.

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