
Tallinn, 09 jun 2026 (Lusa) — Os líderes dos países nórdicos e bálticos manifestaram hoje em duas declarações conjuntas o desejo de ver a Ucrânia integrar a UE “o mais rapidamente possível” e o seu apoio ao trajeto de Kiev rumo à NATO.
“A Ucrânia é um parceiro estratégico de segurança para a NATO, contribuindo diretamente para a segurança euro-atlântica (…) Apoiamos a Ucrânia na sua marcha irreversível rumo a uma integração euro-atlântica completa, incluindo a sua adesão à NATO”, afirmaram os chefes de governo dos países nórdicos e bálticos, reunidos na oitava cimeira, em Tallinn, Estónia, na presença do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
Presidida pelo primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, a reunião tem por foco a cooperação em matéria de segurança e defesa, o desenvolvimento da indústria de defesa, o apoio à Ucrânia, a competitividade e o avanço da inteligência artificial.
Quanto ao alargamento da União Europeia até Kiev, os oito países, formato conhecido como NB8 (Nordic-Baltic Eight), saudaram os “progressos alcançados” pela Ucrânia neste sentido e defenderam a abertura “sem demora” de todos os dossiês de negociação com a Ucrânia entre junho e julho deste ano, considerando que “a adesão da Ucrânia à UE deverá ser concluída o mais rapidamente possível”.
O líder ucraniano prometeu, por sua vez, partilhar a experiência adquirida por Kiev no abate de drones russos a países como a anfitriã Estónia, cujo espaço aéreo é por vezes violado por drones shahed ou ucranianos desviados pelas forças russas.
“Fizemos isso no Médio Oriente e funcionou”, afirmou Zelensky, referindo-se à ajuda enviada por Kiev aos países afetados pelo conflito contra o Irão, para onde viajaram especialistas ucranianos para treinar as forças locais.
O líder ucraniano disse que a Ucrânia poderia oferecer drones intercetores de baixo custo que tem em serviço no país, de modo a construir um escudo contra os ataques de drones russos.
Adiantou que Kiev poderia enviar especialistas aos seus parceiros europeus “a qualquer momento”.
Alguns incidentes têm-se verificado nos últimos meses, com drones ucranianos a despenharem-se em países vizinhos.
No caso da Estónia, drones colidiram contra a chaminé de uma central elétrica, atingiram tanques de combustível vazios na Letónia e foram abatidos por caças romenos estacionados na Lituânia.
“Sabemos o que a Rússia está a fazer. Querem que as relações dentro da UE se deteriorem”, afirmou Zelensky, referindo-se aos incidentes das últimas semanas em que drones ucranianos que se dirigiam para zonas do noroeste da Rússia foram desviados por esta — segundo Kiev — através de interferências eletrónicas e entraram no espaço aéreo da Estónia e de outros países fronteiriços.
O líder ucraniano, que fez estas declarações numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente estónio, Alar Karis, reafirmou que a Ucrânia enviará equipas de especialistas em defesa antiaérea contra drones para a Estónia e para outros países vizinhos que foram afetados por estes incidentes.
Disse ainda que a forma mais rápida de os parceiros europeus terem acesso a todas as capacidades da Ucrânia no domínio dos drones é assinarem acordos de cooperação abrangentes neste domínio, semelhantes aos que foram recentemente assinados por países como a Arábia Saudita, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos.
Por seu lado, o Presidente Alar Karis alertou para a probabilidade de que as incursões no espaço aéreo do seu país por drones utilizados na guerra na Ucrânia continuem.
Karis afirmou que o seu país tem capacidade para abater esses drones a partir de caças, mas defendeu o acesso a tecnologias ucranianas capazes de neutralizar aparelhos não tripulados de forma muito mais económica.
“Os caças são muito caros. Isso significa que temos de encontrar uma forma de utilizar o conhecimento especializado da Ucrânia”, afirmou, recomendando à população “que mantenha a calma quando souber que um dos drones se perdeu e acabou por cair no território” estónio.
O N8 é constituído pelos nórdicos Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, e pelos países bálticos Estónia, Letónia e Lituânia.
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