
Washington, 06 dez 2022 (Lusa) – O Banco Mundial alertou hoje que os paÃses mais pobres gastam um décimo das receitas só para pagar as dÃvidas, a maior proporção desde 2000, quando houve um grande perdão de dÃvida aos paÃses sobre-endividados.
“Os paÃses mais pobres elegÃveis para empréstimos da Associação Internacional para o Desenvolvimento (IDA, na sigla em inglês), do Banco Mundial, gastam agora mais de um décimo das suas receitas de exportação para servir a dÃvida pública e garantida pelo Estado de longo prazo, a maior percentagem desde 2000, pouco tempo depois de a iniciativa sobre os PaÃses Pobres Altamente Endividados (HIPC) ter sido estabelecida”, lê-se num comunicado hoje divulgado em Washington.
O novo Relatório Internacional sobre a DÃvida mostra que, no final de 2021, a dÃvida externa total destas economias estava nos 9 biliões de dólares, mais do dobro do montante de há uma década, e que a dÃvida externa total dos paÃses elegÃveis para financiamento da IDA quase triplicou para 1 bilião de dólares.
“O crescimento das taxas de juro e o abrandamento económico global arriscam arrastar muitos paÃses para uma crise da dÃvida”, alerta o Banco Mundial, notando que “cerca de 60% dos paÃses mais pobres já estão em alto risco de, ou em, sobre-endividamento [debt distress, no original em inglês]”.
Este ano, os pagamentos de dÃvida deverão aumentar 35% para os paÃses IDA, subindo para 62 mil milhões de dólares, “um dos maiores aumentos anuais das últimas duas décadas”, aponta-se ainda no comunicado, que nota que a China deverá representar 66% dos pagamentos de dÃvida bilateral dos paÃses IDA.
“A crise da dÃvida nos paÃses em desenvolvimento intensificou-se; uma abordagem abrangente é necessária para reduzir a dÃvida, aumentar a transparência e facilitar reestruturações mais ágeis, para que os paÃses possam focar-se na despesa que sustenta o crescimento e reduz a pobreza”, disse o presidente do Banco Mundial, David Malpass, citado no comunicado, no qual acrescenta que, sem isso, “muitos paÃses enfrentarão uma crise orçamental e insustentabilidade polÃtica, com milhões de pessoas a cair na pobreza”.
Entre os 75 paÃses mundiais elegÃveis para receber financiamento da IDA estão os lusófonos Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e PrÃncipe.
MBA // PJA
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