PAIGC reúne Comité Central para discutir futuro do histórico partido

Bissau, 28 mar 2026 (Lusa) — Os mais de 500 membros do Comité Central do histórico PAIGC da Guiné-Bissau foram convocados para discutir, hoje, o futuro do partido, numa reunião que poderá ser presencial ou online.

A convocatória indica como local da reunião, por volta das 11:00, um hotel de Bissau, mas a possibilidade do recurso aos meios digitais também está em cima da mesa, segundo avançou à Lusa Munire Conté, porta-voz do PAIGC.

Segundo disse, o “histórico de impedimentos e perturbações por parte das autoridades do regime” guineense às iniciativas do partido, levam os dirigentes a admitir a possibilidade de a reunião do Comité Central decorrer online.

De acordo com o porta-voz, esta possibilidade consta nos estatutos do partido desde 2022, concretizando que está fixada no “nº 5, estatuto 29”.

A marcação da data do XI Congresso para a escolha da liderança será um dos temas da reunião do principal órgão do PAIGC entre congressos, que ocorre num momento em que a sede do partido foi encerrada pelos militares que tomaram o poder na Guiné-Bissau no golpe de Estado de 26 de novembro de 2025.

O XI Congresso do PAIGC estava previsto para novembro e a antecipação do mesmo resulta da convocação de novas eleições gerais no país para 06 de dezembro, por decisão dos militares no poder.

O golpe de novembro de 2025 interrompeu o processo eleitoral para a escolha de novo Presidente da República e dos deputados, sem a divulgação dos resultados oficiais.

O antigo Presidente Sissoco Embaló, e candidato a um segundo mandato, foi deposto e o candidato presidencial da oposição, Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta, remeteu-se ao silêncio.

Considerado o principal opositor de Embaló, Domingos Simões Pereira, eleito por três vezes presidente do PAIGC, desde 2014, foi impedido, por decisão judicial, de concorrer às ultimas eleições, assim como o PAIGC e a coligação PAI-Terra Ranka, que apoiaram Fernando Dias.

Simões Pereira encontra-se em prisão domiciliária e um autodenominado “grupo de reflexão” de dirigentes do partido que integram o atual Governo de transição nomeado pelos militares alegam que não tem condições para continuar na liderança.

O grupo avançou, a 18 de março, que irá realizar o XI Congresso do Partido a 09 e 10 de maio, no mesmo dia em que a Comissão Permanente do PAIGC anunciou a convocação do Comité Central para hoje, 28 de março, com vista à marcação do congresso e com a recomendação de fixar uma data entre os finais de junho e princípios de julho.

A Comissão Permanente do PAIGC reclama que apenas os órgãos estatutários do partido tem legitimidade para marcar a data do congresso.

O PAIGC lidera a coligação PAI-Terra Ranka que foi afastada do poder, em dezembro de 2023, com a dissolução da Assembleia Nacional Popular, pelo então Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e Simões Pereira foi deposto da presidência do órgão, entretanto substituído por um Conselho Nacional de Transição.

 

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