
O Canadá, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, espera que os Estados Unidos se abstenham de interferir nos seus assuntos internos e respeitem plenamente a soberania nacional.
Esta posição surge após relatos de encontros entre responsáveis estadunidenses e ativistas separatistas de Alberta, que levantaram preocupações em Ottawa sobre influências externas no debate político interno.
Nathalie Drouin, conselheira de segurança nacional, afirmou que o governo está vigilante contra qualquer ameaça à democracia canadiana, incluindo potenciais interferências de nações amigas como os EUA. Segundo Drouin, é imperativo que todos os países respeitem a autodeterminação e não se envolvam em questões domésticas de outros Estados soberanos.
As declarações foram feitas num comité da Câmara dos Comuns dedicado à discussão de interferência estrangeira em eleições e processos políticos, um tema tradicionalmente associado a atores como China, Índia, Rússia e Irão, mas que agora inclui também a relação com os vizinhos do sul.
O episódio intensificou o debate sobre a fronteira profunda e histórica entre Ottawa e Washington, reforçando a necessidade de definição clara dos limites de ação de cada governo no espaço político do outro. O Canadá reafirma que, embora mantenha uma parceria económica e de segurança com os Estados Unidos, essa cooperação não deve violar ou influenciar decisões internas canadianas.
Discurso reforçado pelo primeiro-ministro também durante cerimónia de apresentação do retrato oficial de Stephen Harper, em Ottawa. Perante antigos e atuais responsáveis políticos, Carney sublinhou a importância de decisões independentes e de uma liderança guiada pelo interesse nacional. Ao evocar o legado de Harper, destacou a responsabilidade do Estado em proteger a democracia, a economia e a autonomia canadiana, mesmo em contextos de pressão externa e incerteza global.
