
Bissau, 13 abr 2021 (Lusa) – A Comissão Conjunta, que congrega o Conselho Nacional Islâmico e Conselho Superior Islâmico guineense, apelou à FamÃlia Franciscana da Guiné-Bissau para evitar dividir a população através de “posicionamentos polÃticos”.
A posição da Comissão Conjunta consta de um comunicado, a que a Lusa teve acesso, em que o espaço de concertação dos muçulmanos reagiu ao posicionamento da FamÃlia Franciscana, emitido na semana passada, em que aquela congregação afirmou que o paÃs está a “regredir, a viver uma crise com instrumentalização polÃtica de identidades étnicas e religiosas”.
“Numa análise séria e isenta de oportunismos polÃticos e de uma pretensa sobrançaria religiosa, a Comissão Conjunta até a poderia considerar minimamente aceitável e até justificável caso a Guiné-Bissau não se confrontasse com os graves problemas originados e consequências da covid-19”, lê-se no comunicado.
Para as organizações islâmicas que assinam o documento, “o momento atual exige que todas as forças vivas da nação se unam ao lado das instituições polÃticas e sociais” do paÃs.
A Comissão Conjunta das organizações muçulmanas entende que o posicionamento da FamÃlia Franciscana, quando relaciona as agressões aos cidadãos com uma alegada crise polÃtica, jurÃdica, económica e sanitária “é um claro convite à desordem e à desunião” entre os guineenses.
A comissão refere ainda que a Guiné-Bissau acabou de realizar eleições legislativas e presidenciais há um ano e neste momento está a consolidar as instituições eleitas.
“Se Roma e Pavia não foram construÃdas num dia, muito menos um paÃs como o nosso poderá vencer os imensos desafios que tem pela frente”, notou a Comissão Conjunta dos muçulmanos.
A congregação refere também que não quer acreditar que o posicionamento da FamÃlia Franciscana se deva ao facto de o atual Presidente guineense ser “um republicano muçulmano”.
Lembra que no passado os problemas do paÃs eram abordados “de forma responsável” num fórum de todas as congregações religiosas do paÃs e admite que muitos dos factos evocados pela FamÃlia Franciscana “são elementos atuais”.
A Comissão Conjunta enfatiza a existência de movimentos ‘jihadistas’ na sub-região em que se encontra a Guiné-Bissau para chamar a atenção sobre a necessidade de os assuntos serem abordados com “argúcia e responsabilidade” para que as soluções a serem encontradas não possam ser objeto de aproveitamentos condenáveis, salientam os signatários do comunicado.
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