
Lisboa, 26 jul 2019 (Lusa) — A Organização Mundial de Saúde lançou hoje um relatório sobre a “epidemia mundial do tabaco”, que realça progressos na luta contra o consumo, mas “é necessário intensificar as ações para ajudar as pessoas a abandonarem produtos fatais”.
O relatório, apresentado no Rio de Janeiro, no Brasil, refere que muitos governos têm alcançado “progressos muito significativos” na luta contra o tabaco, com cinco mil milhões de pessoas a viverem atualmente em paÃses, como Portugal, que introduziram medidas de controlo, embalagens com imagens chocantes de advertência sanitária e outras medidas eficazes contra o consumo, o que representa quatro vezes mais pessoas do que há uma década.
Contudo, o documento alerta que muitos paÃses ainda não estão a aplicar adequadamente polÃticas para salvar vidas, incluindo a ajuda à s pessoas que querem deixar de fumar.
Este sétimo relatório da OMS sobre a epidemia mundial do tabaco analisa os esforços dos paÃses para aplicarem as medidas mais eficazes da Convenção-Quadro para o Controlo do Tabaco, que “comprovadamente reduzem o consumo”, medidas que “salvam vidas e reduzem custos” na área da saúde.
Entre essas medidas estão a monitorização do uso do tabaco e polÃticas de prevenção, proteger a população contra o fumo dos cigarros, disponibilizar ações para deixar o consumo, advertir para os perigos do tabaco, fazer cumprir as proibições sobre publicidade, promoção e patrocÃnio e aumentar os impostos sobre este produto.
O relatório adverte que os serviços médicos de apoio para deixar o consumo devem ser reforçados na maioria dos paÃses, tendo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, sublinhado que “os governos devem criar serviços para cessação do tabagismo como parte dos esforços para garantir a cobertura universal aos seus cidadãos”.
“Abandonar o tabaco é uma das melhores coisas que qualquer pessoa pode fazer pela sua própria saúde”, disse, acrescentando que o programa “MPOWER”, da OMS, “fornece aos governos as ferramentas práticas para ajudar as pessoas a abandonarem o hábito e viverem vidas mais longas e saudáveis”.
O relatório sublinha que “houve progressos no mundo” nesta área, com 2,4 mil milhões de pessoas em paÃses que atualmente oferecem serviços completos de cessação do tabagismo, mais dois mil milhões do que e em 2007).
Porém, segundo o documento, apenas 23 paÃses oferecem esses serviços de cessação no nÃvel das melhores práticas, fazendo da medida MPOWER a mais sub-implementada em termos de número de paÃses que oferecem cobertura total.
Entre os serviços disponibilizados por aqueles paÃses, destacam-se linhas de apoio telefónico nacionais, serviços de “cessação móvel” para atingir um maior número de pessoas através de telemóveis, aconselhamento por prestadores de serviços de atenção primária e terapias gratuitas de substituição da nicotina.
O relatório, financiado pela Bloomberg Philanthropies, revela que, embora apenas 23 paÃses tenham implementado polÃticas de apoio à cessação do tabagismo ao mais alto nÃvel, existem outros 116 que oferecem serviços total ou parcialmente subsidiados em algumas ou na maioria das unidades de saúde e mais 32 que oferecem serviços mas não cobrem os custos, “demonstrando um elevado nÃvel de procura de ajuda para parar de fumar por parte da população”.
O documento aponta que o consumo de tabaco diminuiu na maioria dos paÃses, “mas o crescimento demográfico demonstra que o consumo continua elevado”, estimando-se que atualmente existam 1,1 mil milhões de fumadores, com cerca de 80% deles a viverem em paÃses de baixo ou médio rendimento.
Em comparação com os dados do anterior relatório, publicado em 2017, este mostra que o nÃvel económico “não é um obstáculo à luta contra o tabagismo ao nÃvel das melhores práticas”.
Há novos paÃses que implementaram, desde o último relatório, algumas das medidas ao nÃvel das melhores práticas, como sejam AntÃgua e Barbados, Benim, Burundi, Gâmbia, Guiana e Tajiquistão adotando legislação completa contra o uso do tabaco em todos os lugares públicos fechados e locais de trabalho.
A República Checa, a Arábia Saudita, a Eslováquia e a Suécia avançaram para o nÃvel das melhores práticas com serviços de cessação do tabagismo, mas durante o mesmo perÃodo seis outros paÃses, entre eles Portugal, desceram do grupo com o nÃvel mais alto, o que resultou numa perda lÃquida de dois paÃses.
Barbados, Camarões, Croácia, Chipre, Geórgia, Guiana, Honduras, Luxemburgo, Paquistão, Arábia Saudita, Eslovénia, Espanha e Timor-Leste) adotaram a polÃtica de embalagens com imagens chocantes de advertência sanitária.
AntÃgua e Barbados, Azerbaijão, Benim, Congo, República Democrática do Congo, Gâmbia, Guiana, Arábia Saudita e Eslovénia introduziram uma polÃtica de proibição total à publicidade, promoção e patrocÃnio do tabaco e Portugal, Andorra, Austrália, Brasil, Colômbia, Egito, Ilha MaurÃcia, Montenegro, Nova Zelândia, Macedónia e Tailândia aumentaram impostos sobre o tabaco, conclui o relatório.
ARA // HB
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