
Budapeste, 09 mar 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, apelou hoje à União Europeia (UE) para suspender as sanções aos combustíveis fósseis russos, argumentando que a guerra no Médio Oriente está a provocar uma subida acentuada dos preços da energia.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, Orbán referiu que enviou uma carta sobre esta questão à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, depois de os preços do petróleo terem começado a subir “explosivamente”.
Segundo o líder húngaro, a UE deve “rever e suspender todas as sanções à energia russa — impostas devido à invasão da Ucrânia – em toda a Europa” para limitar o impacto do aumento dos preços do petróleo e do gás.
A guerra em curso entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, que entrou na segunda semana, está a afetar infraestruturas críticas de produção e transporte de petróleo e gás no Golfo Pérsico, contribuindo para a subida das cotações nos mercados globais.
Orbán anunciou também que convocou hoje uma reunião de emergência do Governo para avaliar medidas destinadas a evitar novos aumentos do preço da gasolina e do gasóleo na Hungria.
O Governo nacionalista de Budapeste tem sido um dos principais opositores das políticas da UE destinadas a reduzir as importações de energia russa desde a invasão da Ucrânia por Moscovo em fevereiro de 2022.
A Hungria e a Eslováquia mantiveram e até reforçaram as importações de petróleo e gás russos, beneficiando de uma isenção temporária ao embargo europeu ao crude russo.
Até recentemente, os dois países recebiam petróleo através do oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia, mas os fornecimentos foram interrompidos a 27 de janeiro.
Kiev atribuiu a interrupção deste fornecimento a danos provocados por um ataque russo com drones à infraestrutura do oleoduto, enquanto Orbán acusou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, de bloquear deliberadamente o fornecimento.
Em resposta à situação, Budapeste vetou uma nova ronda de sanções europeias contra Moscovo e está a bloquear um empréstimo da UE de cerca de 90 mil milhões de euros à Ucrânia.
As tensões entre os dois países agravaram-se também depois de as autoridades húngaras terem detido temporariamente, na quinta-feira, sete funcionários de um banco estatal ucraniano e apreendido dois veículos blindados que transportavam dinheiro e ouro através do território húngaro.
A Ucrânia afirmou que o transporte fazia parte de operações regulares entre bancos estatais e rejeitou as acusações de branqueamento de capitais.
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