Oposição venezuelana exige libertação de ex-autarca

Caracas, 17 set 2026 (Lusa)- A oposição venezuelana exigiu hoje a libertação imediata de um ex-presidente da câmara detido esta quinta-feira, na mesma altura em que começa a segunda fase do diálogo com o Governo da Presidente interina Delcy Rodríguez.

Segundo a oposição, o ex-presidente da câmara do município Torres no estado de Lara (oeste), Javier Oropeza, foi detido por agentes da Divisão de Investigação Penal da Polícia Nacional em Barquisimeto, capital da região.

Oropeza regressou esta semana ao país após dois anos de exílio em Espanha e recebeu na quarta-feira o arquivamento de um processo contra si, segundo a oposição.

A chefe da delegação da oposição nas conversações, Dinorah Figuera, afirmou que, ao tomar conhecimento da detenção, o grupo que lidera denunciou “de imediato” o caso junto dos representantes do Governo no diálogo, que “se comprometeram a realizar todas as diligências para a sua pronta libertação”.

“Estaremos atentos até que se cumpra. Todos os presos políticos devem ser libertados”, escreveu na rede X.

Neste segundo ciclo do diálogo entre a oposição e o Governo venezuelano para uma transição política no país sul-americano, está previsto que sejam abordadas garantias civis e políticas e a liberdade de expressão.

O partido Vente Venezuela (VV), da líder opositora e prémio Nobel da Paz María Corina Machado, condenou a detenção e assegurou tratar-se de “mais uma demonstração da natureza criminosa do regime de Delcy Rodríguez”.

“Aos venezuelanos não surpreende: Delcy é [Nicolás] Maduro. Por isso, não só mantém ativa a sua estrutura repressiva, como se recusa a libertar mais de 344 pessoas e a decretar o arquivamento de dezenas de líderes políticos e outros civis sujeitos a medidas cautelares e outras formas de perseguição e judicialização”, declarou o partido em comunicado.

O VV fez um “urgente apelo à comunidade democrática internacional” para “pressionar pela libertação de Javier e de todos os presos políticos sem demora e sem desculpas e para não permitir que um regime como o de Delcy Rodríguez se reorganize e se fortaleça a partir de falsas pretensões de transformação democrática”.

Na quarta-feira, a Missão Internacional Independente da ONU para a Venezuela advertiu que, apesar de melhorias “limitadas”, o aparelho repressivo do Estado venezuelano permanece “intacto”.

Num novo relatório sobre a situação do país em 2026, ano marcado pela intervenção norte-americana que a 03 de janeiro conduziu à captura de Nicolás Maduro, a missão de peritos assinala alguns avanços, mas não acompanhados de melhorias institucionais que garantam a sua continuidade.

De acordo com a missão, continuam em vigor leis usadas para criminalizar a dissidência, os serviços de informações e forças de segurança mantêm as mesmas estruturas e não foi adotada qualquer medida para desarmar ou desmantelar os grupos conhecidos como “coletivos”, fonte permanente de intimidação e violência.

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