
Pristina, 07 out 2019 (Lusa) — A oposição venceu as eleições legislativas de domingo no Kosovo, afastando do poder os partidos que dirigiam o paÃs há mais de uma década, de acordo com dados divulgados pela comissão eleitoral.
Após a contagem de 95% dos votos, a esquerda – o movimento Vetëvendosje! (VV, Autodeterminação!), com 25,81% – e o centro direita – Liga Democrática do Kosovo (LDK), com 24,95% – estavam à frente dos dois partidos da coligação no poder, Partido Democrático do Kosovo (PDK), com 21,27%, e a Aliança para o futuro do Kosovo (AAK), do atual primeiro-ministro, com 11,5%.
“Chegou a hora! Chegou a hora!”, disse o lÃder do movimento Vetëvendosje!, Albin Kurti, aos seus apoiantes, no centro de Pristina, citado pela Agência France Presse (AFP).
Durante dez anos, o Kosovo mergulhou numa profunda crise socioeconómica sem obter um reconhecimento internacional pleno da sua soberania.
O chefe do principal partido da coligação atualmente no poder, Kadri Veseli, também citado pela AFP, aceitou a derrota, afirmando: “Aceitamos o veredito do povo. O PDK passa para a oposição”.
A Comissão Eleitoral deverá anunciar na segunda-feira os resultados oficias.
A LDK e o Autodeterminação!, que têm colaborado nos últimos anos, mostraram-se na campanha dispostos a aliarem-se após as eleições, apesar de terem fracassado na tentativa de o fazerem antes da votação, porque não conseguiram chegar a acordo quando a um candidato comum para primeiro-ministro.
As questões sociais, do emprego à saúde, dominaram a campanha para as eleições legislativas antecipadas de domingo.
Pela primeira vez desde a autoproclamação da independência do Kosovo em 2008, os temas sociais obtiveram primazia sobre as eternas “questões nacionais”. A sombra do diálogo com a Sérvia planou sobre a campanha, mas o emprego, a corrupção, o direito à educação e saúde dominaram os discursos, sugerindo à população que, 20 anos após o fim dos combates, é possÃvel uma mudança.
No total, 1.068 candidatos disputaram os 120 lugares do parlamento do Kosovo (20 reservados à s “minorias”), num paÃs com menos de dois milhões de habitantes, mas uma importante diáspora.
Do lado dos albaneses kosovares, quatro listas disputaram o primeiro lugar: a Liga Democrática do Kosovo (LDK), o Partido democrático do Kosovo (PDK), o movimento Vetëvendosje! (VV, Autodeterminação!) e a coligação formada entre a Aliança para o futuro do Kosovo (AAK) de Ramush Haradinaj e o Partido social-democrata (PSD).
O ex-primeiro-ministro Ramush Haradinaj, antigo comandante do UÇK, os serviços secretos do exercito de libertação do Kosovo, e que liderava uma ampla coligação governamental, também joga a sua sobrevivência polÃtica.
Haradinaj demitiu-se em 19 de julho, após ser convocado pelo Tribunal especial para o Kosovo, com sede em Haia, como suspeito de crimes de guerra no decurso da “guerra do Kosovo” (1998-99), o último conflito na ex-Jugoslávia.
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