Oposição timorense quer respostas do Governo sobre alegadas redes mafiosas

Díli, 09 fev 2026 (Lusa) — A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) pediu hoje ao Governo resposta sobre as alegadas redes mafiosas, denunciadas num relatório da ONU que analisa e avalia o desenvolvimento do crime organizado no sudeste asiático.

“Infelizmente, em Timor-Leste, apesar de este assunto das máfias ser debatido há muitos meses, as autoridades policiais e o Governo ainda não divulgaram o paradeiro dessas pessoas, nem explicaram ao público como é que estas máfias operam no nosso país e circulam livremente no território”, afirmou o deputado da Fretilin, Florentino Ximenes Sinarai.

Numa intervenção antes do período da ordem dia no Parlamento, Florentino Ximenes Sinarai questionou o Governo sobre as detenções feitas, sobre se estão a ser investigados os governantes e funcionários envolvidos na adjudicação de contratos e licenças às empresas suspeitas e se existe, ou não, alguma ligação entre aquelas alegadas máfias e o jogo ‘online’.

“Apelamos ao público para que acompanhe atentamente esta situação, pois a dominação e o controlo das máfias sobre a política do nosso Estado constituem uma prática contrária aos princípios da independência e da soberania de Timor-Leste, conquistadas com o sangue derramado por muitos timorenses”, afirmou.

O deputado da Fretilin desafia também o Governo e as autoridades policiais a “processarem os autores e criminosos descritos no relatório da ONU de forma rigorosa, transparente e com elevada integridade, sem ocultar provas relativas ao envolvimento de figuras importantes em Timor-Leste”.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) alertou em setembro para a proliferação de redes criminosas em Oecussi, enclave timorense no lado indonésio da ilha de Timor, salientando que as recentes investigações mostram uma contaminação da região.

O documento da UNODC foi divulgado depois de uma investigação das autoridades timorenses, que resultou na detenção de 10 pessoas por suspeita de envolvimento em atividade de exploração de jogos ilícitos e de burla informática em Oecussi.

No mesmo relatório, a UNODC afirma também que uma pessoa “que ocupa um cargo no governo de Timor-Leste” é um dos donos de um hotel que “parece acolher empresas” com atividade criminosa.

Na sequência daquela denúncia pública, o Governo timorense determinou cancelar as licenças concedidas para exploração de jogos e apostas online, bem como proibir a atribuição de novas licenças, devido a riscos para a segurança e estabilidade social.

Em dezembro, as autoridades timorenses encerraram a casa de jogos Lotaria Dragon, em Díli, bem como os escritórios da empresa Capital Ventures Timor, por suspeita de jogo ilegal.

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