
Luanda, 15 out (Lusa) – A UNITA e CASA-CE, principais forças da oposição angolana, consideraram hoje “interessante” e “bom” o detalhe da informação anunciada pelo Presidente da República sobre os empréstimos obtidos no exterior, que garantiram ao paÃs 10 mil milhões de euros.
O chefe de Estado angolano, que discursava hoje sobre o estado da Nação, na abertura da segunda sessão legislativa da IV legislatura da Assembleia Nacional, disse que a “intensa e a inédita” campanha de diplomacia económica que realizou este ano já garantiu financiamentos no valor de 10 mil milhões de euros, o que permitirá recolher frutos nos próximos anos para garantir o desenvolvimento do paÃs.
Em reação ao discurso, o lÃder da bancada parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto da Costa Júnior, elogiou o “esforço” feito pelo Presidente angolano, em reposta a algumas questões que o seu partido, o maior da oposição angolana, havia colocado.
Contudo, o polÃtico referiu que todo o valor descrito pelo chefe de Estado angolano “é só para pagar dÃvidas”.
“O cumprimento do serviço da dÃvida, que o Presidente da República não falou aqui, é muito alto, é superior a 30 mil milhões de dólares. Ora, o serviço da dÃvida tem de ser cumprido, aqueles 11 vÃrgula qualquer coisa mil milhões [11,2 mil milhões de dólares] que foram ditos estão a fazer o cumprimento do serviço da dÃvida, mas à margem daquilo que o orçamento permite”, frisou.
“Achei muito interessante o detalhe daqueles empréstimos no plano internacional, foi um desafio que lhe foi lançado e, neste desafio, [João Lourenço] fez um esforço para responder algumas questões”, acrescentou.
Por seu turno, o lÃder da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), Abel Chivukuvuku, considerou “mau sinal” os empréstimos contraÃdos por Angola, “porque são dÃvidas e amanhã serão pagas pelos angolanos, com juros e em situações mais difÃceis”.
“Não é bom. Ninguém pense que esses dinheiros das dÃvidas vêm assim para Angola, não! A dÃvida alemã é para irmos lá buscar máquinas, o dinheiro não vem para aqui, as linhas de crédito portuguesas são para as empresas portuguesas, que vêm prestar serviços em Angola. O dinheiro não vem para aqui, é bom, porque nos ajuda a resolver alguns problemas, mas é um problema que estamos a criar para as gerações futuras, vindouras”, sublinhou.
Para o lÃder da segunda maior força polÃtica da oposição angolana, o ideal seria que Angola tivesse capacidade de construir o paÃs com os seus próprios recursos e não endividar-se.
“O facto de [João Lourenço] ter dito, explicado de forma pormenorizada, é bom, mas que ninguém crie a perspetiva e a expectativa de que a vida ficará mais fácil. Não vai ficar, porque vamos ter de pagar aquilo com juros. Muita parte do dinheiro não vem para Angola, fica para as empresas estrangeiras”, frisou.
No discurso, João Lourenço salientou que a diversificação económica é “um imperativo nacional” e lembrou que, nas visitas que efetuou ao estrangeiro, conseguiram-se garantias de investimento e de financiamento da economia angolana que, além dos montantes de 10 mil milhões de euros, há que contar também com as “intenções” de apoio financeiro a investimentos no paÃs.
“Fizemos uma verdadeira diplomacia económica”, resumiu o Presidente angolano, lembrando as visitas a França, Alemanha e China e os apoios financeiros de Portugal e Reino Unido, além da disponibilidade de linhas de crédito de várias instituições bancárias internacionais.
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