
Banguecoque, 25 nov 2020 (Lusa) – Manifestantes pró-democracia voltaram hoje à s ruas de Banguecoque, apesar das imposições legais contra os protestos impostas pelo Governo tailandês, que recuperou legislação contra todos os que cometem atos difamatórios contra a monarquia.
Na terça-feira, a polÃcia emitiu intimações a 12 lÃderes da oposição que têm de responder por crime de lesa-majestade, acusados de difamação e insultos a membros da famÃlia real.
Este tipo de ofensas é punÃvel com até aos 15 anos de prisão, sendo que muitos manifestantes já enfrentam múltiplas acusações que vão de responsabilidade em perturbações ao trânsito até sedição.  Â
As leis de lesa-majestade são controversas porque qualquer pessoa, e não apenas as autoridades ou membros da famÃlia real, podem apresentar queixas.
No passado, a legislação foi usada no paÃs como arma utilizada para vinganças polÃticas tendo sido afastada nos últimos três anos depois dos pedidos do rei Maha Vajiralongkorn junto do Governo.
Os manifestantes exigem a reforma do sistema e mais responsabilidade por parte dos membros da famÃlia real.
Os protestos exigem igualmente a aplicação plena da Constituição e de princÃpios democráticos e que o primeiro-ministro Paryuth Chan-ocha e o Governo sejam destituÃdos porque o Executivo foi implementado pelos militares.
Hoje vários lÃderes da oposição procurados pela polÃcia manifestaram-se frente ao edifÃcio do banco Siam Commercial Bank, controlado maioritariamente pela famÃlia real.
Mais de duas mil pessoas estiveram concentradas no local desde a última madrugada.
Para o movimento pró-democracia tailandês, os monarcas detêm demasiado poder, impróprio de uma monarquia constitucional.
Os manifestantes têm de enfrentar os monárquicos, incluindo o Exército, que consideram que a famÃlia real é intocável.
A imagem de um pato transformou-se num sÃmbolo de resistência depois de nos últimos confrontos os manifestantes se protegeram dos canhões de água da polÃcia usando bonecos insufláveis gigantes com forma de pato.
Inicialmente o protesto esteve marcado para a zona em frente aos escritórios da Crown Property Bureau, instituição que gere a fortuna do rei, estimada em mais de 40 mil milhões de dólares.
O local foi alterado para o Siam Commercial Bank, detido maioritariamente pelo rei.
As instalações do banco ficam situadas numa outra zona de Banguecoque e os manifestantes optaram por modificar o local para a realização do protesto para evitarem as contra manifestações monárquicas receando que os confrontos pudessem provocar a implementação da lei marcial.Â
Na semana passada, os confrontos frente ao Parlamento levaram a polÃcia a usar canhões de água e a disparar balas de borracha.Â
No dia seguinte à manifestação no Parlamento, o movimento pró democracia mobilizou-se num grande protesto frente ao principal quartel da polÃcia da capital.
Uma declaração emitida hoje pelo grupo oposicionista Free Youth (Juventude Livre) considera a Tailândia “Estado falhado” em que os cidadãos são governados “por capitalistas, militares e feudalistas”.
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PSP // FPA
Lusa/fim Â
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